Estudo aponta risco de recessão no setor agrícola brasileiro em 2027 devido ao El Niño
Projeções indicam quebra na safra de milho e impacto na economia do país
Segundo pesquisa do Itaú Unibanco, o fenômeno climático El Niño deve afetar significativamente a agricultura brasileira, podendo gerar uma retração de 1,5% no PIB do setor em 2027.
Um estudo realizado pelo Itaú Unibanco revela que o fenômeno climático El Niño deve estimular uma crise no setor agropecuário brasileiro em 2027, podendo levar a uma queda de aproximadamente 1,5% na produção do setor. A pesquisa ainda aponta que, apesar de 2026 apresentar um resultado positivo, com crescimento de cerca de 3% no PIB agropecuário, essa cifra deve ser menor do que os 12% registrados em 2025, o que indica uma desaceleração que já vem sendo observada.
Segundo Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco, a intensidade do El Niño previsto para o próximo período deve ser ainda maior do que as manifestações de 2015 e 2023, fenômenos que já causaram severos impactos na agricultura brasileira. Gottlieb explica que essa alteração no clima provoca mudanças no regime de chuvas em regiões produtoras de commodities, especialmente nas áreas de cultivo de milho, que devem sofrer uma quebra na safra de cerca de 17% em 2027. Esta projeção, ainda não confirmada oficialmente, foi divulgada com base em modelos climáticos utilizados pelo banco.
De acordo com a pesquisadora, o atraso no plantio da soja, causado pelo El Niño, reduz a janela adequada para o cultivo do milho safrinha — safra de milho cultivada após a colheita da soja — tornando essa cultura uma das mais vulneráveis ao fenômeno. Além do impacto direto na produção de milho, a quebra tende a afetar toda cadeia produtiva do agronegócio, que, embora represente aproximadamente 6% a 7% do PIB total, possui efeitos de segunda ordem que influenciam setores como transporte, logística e comércio de insumos.
O estudo também aponta que, no curto prazo, o aumento na inflação provocada pelo El Niño deve concentrar-se nos preços de alimentos in natura, como frutas e legumes, com uma alta estimada de 0,3 ponto percentual no IPCA, índice oficial de inflação. Para 2027, a preocupação se amplia para os preços de ração e proteínas— itens diretamente relacionados às quebras de safra — que podem apresentar alta significativa. Além disso, o fenômeno interfere nos níveis de reservatórios das hidrelétricas, podendo impactar as bandeiras tarifárias de energia elétrica, que permanecem em bandeira verde até o final de 2026, mas com riscos crescentes para o ano seguinte.
Julia Gottlieb ainda destacou que a inadimplência no setor rural vem sendo monitorada com atenção pelos produtores, que já percebem dificuldades financeiras agravadas por juros elevados e incertezas climáticas. Ela reforçou que o principal indicador a ser acompanhado nos meses que vêm é o calendário de plantio, cuja evolução poderá sinalizar um agravamento ou melhora na situação do setor agrícola brasileiro. A ainda não oficial previsão reforça a necessidade de atenção tanto para a economia quanto para o setor agrícola, cuja vulnerabilidade, segundo o estudo, pode se intensificar ainda mais com o avanço do fenômeno climático.
O que sabemos?
- Estudo do Itaú Unibanco aponta risco de queda de 1,5% no PIB agropecuário brasileiro em 2027.
- Fenômeno El Niño deve ser forte, possivelmente mais intenso do que os de 2015 e 2023.
- Quebra na safra de milho prevista para 2027 é de aproximadamente 17%.
- Impacto deve afetar inflação de alimentos, especialmente relativos ao milho, soja, frutas e legumes.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




