PIB do Brasil desacelera e cresce 0,5% no segundo trimestre de 2026
Consumo das famílias recua devido a juros altos, apesar do mercado de trabalho continuar forte
Segundo dados do IBGE divulgados em 1º de julho, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando após alta de 1,1% nos primeiros três meses do ano. O recuo no consumo das famílias e a manutenção dos juros em dois dígitos influenciaram o desempenho econômico.
O progresso da economia brasileira perdeu força no segundo trimestre de 2026, conforme revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º). O PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior, desacelerando em comparação ao avanço de 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano. A porcentagem ficou um pouco acima da mediana das expectativas do mercado, que previam 0,4%, segundo dados da agência Bloomberg.
Analistas já sinalizavam essa desaceleração, associando-a sobretudo aos juros altos praticados no país. O Banco Central iniciou um ciclo de cortes na taxa Selic em março, mas, mesmo assim, o índice básico de juros permanece em casa de dois dígitos, o que encarece o crédito para consumo e investimento. Como consequência direta, houve queda no consumo das famílias, que é o principal motor da economia brasileira. O IBGE apontou queda de 0,4% na despesa das famílias no segundo trimestre, após alta de 0,8% na primeira parte do ano.
Este dado é particularmente relevante porque mostra que o aumento do PIB não ficou sustentado pelo consumo popular. Apesar disso, o mercado de trabalho continuou apresentando resistência, oferecendo algum suporte para a economia, conforme destacou o levantamento. Ainda assim, o efeito dos juros altos pesa mais contra a velocidade do crescimento, dificultando tanto o consumo quanto os investimentos produtivos.
O momento da divulgação dos números chama atenção também pelo calendário eleitoral. A reportagem da Folha de S.Paulo, que tem exclusividade sobre esses dados, lembra que os indicadores econômicos são apresentados poucos meses antes da eleição presidencial em outubro, na qual o atual presidente Lula (PT) busca a reeleição. O governo adotou medidas para estimular a economia nos últimos meses, que ajudaram a sustentar parte do crescimento.
O próximo balanço do PIB, referente ao terceiro trimestre de 2026, ainda não foi divulgado pelo IBGE e está previsto para 2 de dezembro. Até lá, o panorama econômico ficará sujeito a diversas interpretações, especialmente diante do contexto político e da manutenção dos juros em níveis elevados, que seguem como fator limitante para a economia nacional.
O que sabemos?
- PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, desacelerando em relação ao primeiro trimestre (1,1%)
- Consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, após alta de 0,8%
- Taxa básica de juros (Selic) permanece em dois dígitos, dificultando consumo e investimento
- Próximo dado do PIB será divulgado em 2 de dezembro pelo IBGE
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




