Crescimento econômico desacelera no segundo trimestre com consumo em queda
PIB do Brasil avança 0,5% entre abril e junho de 2026, mas desaceleração é causada por juros altos e recuo no consumo das famílias
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026, mostrando uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre. A queda no consumo das famílias, impacto dos juros altos, e as dificuldades enfrentadas pelo mercado de crédito explicam a perda de ritmo da economia, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (1º).
O Brasil registrou um crescimento econômico mais modesto no segundo trimestre de 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 0,5% em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º). Este resultado confirma uma desaceleração da economia, já que no primeiro trimestre o avanço foi de 1,1%. Analistas esperavam essa redução causada pelo aumento da taxa de juros e pelo impacto das medidas restritivas nos gastos das famílias.
A desaceleração estava prevista no mercado. A mediana das projeções financeiras apontava para um crescimento de 0,4%, com intervalo que variava de 0,2% a 0,6%, conforme levantamento da agência Bloomberg. Assim, o desempenho de 0,5% ficou levemente acima das estimativas mais conservadoras dos analistas.
Um fator central para essa desaceleração é o comportamento do consumo das famílias, que geralmente é o motor da economia brasileira. No segundo trimestre, houve recuo de 0,4% no consumo, depois de ter avançado 0,8% no primeiro trimestre. A perda de força do consumo está diretamente ligada ao aperto dos juros, que elevam o custo do crédito e tornam os financiamentos menos acessíveis, além de reduzir o poder de compra dos consumidores.
Apesar das dificuldades, o mercado de trabalho ainda mostrou sinais de robustez no período, colaborando para evitar uma retração maior do PIB. No entanto, a persistência dos juros em níveis elevados — mesmo após cortes iniciados pelo Banco Central a partir de março — segue limitando o crescimento econômico ao inibir tanto o consumo quanto os investimentos produtivos. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, permanece em dois dígitos.
A divulgação dos números do PIB do segundo trimestre ocorre a poucos meses das eleições presidenciais previstas para outubro deste ano, cenário em que o governo do presidente Lula, que busca a reeleição, tem apostado em medidas de estímulo econômico para tentar acelerar o crescimento. A próxima divulgação, que trará os resultados do terceiro trimestre, está programada para 2 de dezembro, quando será possível avaliar se a economia conseguirá retomar um ritmo mais consistente.
O que sabemos?
- O PIB do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, desacelerando em relação ao primeiro trimestre.
- O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre após alta de 0,8% no primeiro trimestre.
- A taxa básica de juros (Selic) permanece em dois dígitos, apesar de cortes iniciados em março.
- O mercado de trabalho manteve certa força no período, mas o consumo e investimento continuam limitados.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





