Economia

Investimentos estrangeiros elevam a região de Poços de Caldas ao centro da disputa global por terras raras

Em apuração ?

Empresa australiana controla projeto em MG enquanto o Brasil ganha destaque na mineração de minerais estratégicos

Mapa da região de Poços de Caldas destacando projeto de terras raras
Imagem: G1

O Sul de Minas, especialmente o Planalto de Poços de Caldas, tem atraído empresas estrangeiras interessadas em terras raras, minerais essenciais para tecnologias modernas. A aquisição recente pela Lynas e os múltiplos pedidos de pesquisa mostram que a região ganhou importância na corrida internacional pelo controle desses recursos.

Na quarta-feira (30), a mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou a compra do projeto Caldeira, em Poços de Caldas (MG), através da aquisição da Meteoric Resources por aproximadamente R$ 3,5 bilhões. Segundo fontes da própria empresa, o negócio visa garantir o controle de um importante projeto de exploração de terras raras na região, que possui depósitos de argila iônica na superfície, tornando a extração mais barata e eficiente. Ainda não há confirmação oficial do valor ou detalhes finais do negócio, mas o anúncio reforça o interesse internacional na área.

O relevo da região do Planalto de Poços de Caldas tem despertado a atenção por hospedar depósitos de terras raras, minerais essenciais para a fabricação de ímãs, componentes de alta tecnologia e tecnologias de energia limpa. Dados divulgados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que, em 2025, o Brasil possuía cerca de 1.882 autorizações para pesquisa de terras raras, com aproximadamente 20% delas concentradas na região de Poços de Caldas. Segundo ainda fontes da ANM, cerca de um terço dos pedidos na região envolvem Minas Gerais, destacando a relevância do local na disputa mundial por esses minerais críticos.

Até o momento, além da Lynas e Meteoric, outras empresas australianas, como a Power Minerals, adquiriram direitos de exploração na área. A Power Minerals, por exemplo, comprou o projeto Morro do Ferro por cerca de R$ 80 milhões e está atualmente realizando pesquisas. Além delas, empresas de outros países também demonstraram interesse, fortalecendo o cenário de competição internacional pelo controle da cadeia de terras raras, que, atualmente, depende quase totalmente da China, responsável por cerca de 70% da produção mundial e quase 90% do processamento.

Especialistas dizem que a importância da disputa aumentou após o crescimento da demanda por minerais usados em tecnologias limpas e dispositivos de alta tecnologia. O Brasil, com seu potencial, aparece como uma alternativa estratégica para os Estados Unidos e a União Europeia, que buscam ampliar a diversidade de fornecedores. Os investimentos estrangeiros na região de Poços de Caldas reforçam essa percepção, colocando o Sul de Minas na mira do mercado global de minerais estratégicos.

Apesar do cenário promissor, fontes ainda não confirmaram oficialmente detalhes sobre a quantidade de terras raras presentes na região ou o impacto ambiental das operações em andamento. O setor de mineração passa por um momento de transição, com interesses políticos e econômicos se entrelaçando, e o Brasil ainda tenta definir sua posição nesta disputa mundial, que tem potencial de transformar o mapa da cadeia de fornecimento de minerais essenciais para o futuro tecnológico.

O momento atual é considerado estratégico para o país, principalmente por ampliar suas possibilidades de participação na cadeia global de minerais raros, sobretudo diante do esforço internacional de reduzir a dependência da China. Assim, o Sul de Minas se fortalece como uma peça-chave nesta corrida mundial, com investimentos e negócios que ainda estão em fase de desenvolvimento e licenciamento, aguardando confirmação oficial de muitos detalhes.

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O que sabemos?

  • A Lynas anunciou a compra do projeto Caldeira por aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
  • O projeto Caldeira está localizado em Poços de Caldas, MG, e possui depósitos de argila iônica.
  • Empresas australianas, como a Meteoric, Viridis e Power Minerals, estão investindo na região.
  • A ANM registra cerca de 100 pedidos de pesquisa de terras raras na região de MG, sendo aproximadamente um terço em Poços de Caldas.
  • Estados Unidos, União Europeia e outros países estão interessados na disputa por terras raras, tentando quebrar o monopólio da China.

Fontes

  • G1 imprensa
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