Economia

Guerra no Irã eleva custos da dívida soberana para maiores economias do G7

Em apuração ?

Conflito com os EUA desde fevereiro pressiona rendimentos dos títulos públicos e eleva em bilhões o financiamento dos países do grupo

Ilustração de gráficos financeiros sobre títulos públicos
Imagem: Folha de S.Paulo

Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, os rendimentos dos títulos públicos globais subiram, aumentando em US$ 16 bilhões os custos de financiamento das maiores economias desenvolvidas do G7 até o momento, com possibilidade de ultrapassar US$ 34 bilhões até março de 2027.

Os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado em fevereiro deste ano, já são sentidos além das fronteiras do Oriente Médio, impactando diretamente as finanças públicas das maiores economias desenvolvidas do mundo. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo com base em dados de emissão de títulos dos governos, os rendimentos dos títulos públicos globais subiram desde o começo da guerra, pressionando para cima os custos de financiamento da dívida soberana no grupo dos países do G7.

De acordo com a análise, as nações que compõem o G7 – que inclui Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá – já incorporaram cerca de US$ 16 bilhões em despesas adicionais para emissão de dívida devido ao aumento das taxas desde fevereiro. Essa alta ocorreu em praticamente todas as emissões de títulos públicos, em todos os prazos de vencimento e em todos os países do grupo, o que significa que os governos precisam desembolsar mais juros para captar recursos no mercado financeiro.

Os Estados Unidos, por sua dimensão econômica e peso no mercado global de títulos soberanos, concentram a maior parte do custo adicional até o momento, estimado em US$ 10,6 bilhões. Caso essa tendência de alta nas taxas de juros dos títulos públicos continue até o final do primeiro trimestre de 2027, o país deverá arcar com cerca de US$ 21,7 bilhões em custos extras de financiamento, elevando ainda mais a pressão sobre o orçamento federal.

Em números gerais, o grupo do G7 pode ter um aumento total de custos para financiar suas dívidas da ordem de US$ 34 bilhões até março do próximo ano, caso os rendimentos continuem no patamar atual ou aumentem. Esse cenário ressalta a influência dos conflitos geopolíticos globais, como a guerra entre Irã e Estados Unidos, sobre os mercados financeiros e a economia mundial, afetando diretamente o custo do dinheiro aos governos mais robustos do planeta.

Para o público e para os gestores econômicos, entender essa dinâmica é fundamental, pois a elevação dos juros dos títulos públicos impacta a capacidade dos países em financiar políticas públicas, investimentos e o pagamento de dívidas. Com isso, a guerra no Irã, ainda distante da maior parte da população, demonstra como questões externas podem pressionar as contas públicas e, consequentemente, ter reflexos na vida dos cidadãos.

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O que sabemos?

  • Guerra entre EUA e Irã começou em fevereiro de 2024.
  • Rendimentos dos títulos públicos globais subiram desde então.
  • Países do G7 já incorporaram US$ 16 bilhões em custos adicionais por causa da alta dos juros.
  • Se a alta persistir até março de 2027, custo adicional poderá chegar a US$ 34 bilhões.

Fontes

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