Economia

Mercado global de fusões e aquisições avança a ritmo acelerado e impulsiona plataformas digitais no Brasil

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Negócios bilionários e alta no interesse pelo comércio eletrônico internacional marcam os primeiros meses de 2026

Gráfico ilustrativo sobre crescimento de fusões e aquisições e uso de plataformas de e-commerce
Imagem: Folha de S.Paulo

Entre janeiro e maio, fusões e aquisições somaram US$ 2,4 trilhões, crescimento de 41% na comparação anual, enquanto o interesse por termos ligados ao comércio digital, como "taxa das blusinhas", explodiu, beneficiando gigantes asiáticas do e-commerce.

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) registrou um movimento expressivo no início de 2026, atingindo US$ 2,4 trilhões em transações entre janeiro e maio, o que representa um crescimento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo levantamento da consultoria de gestão Bain & Company, as negociações mostram aprofundamento no volume e no valor dos negócios, especialmente aqueles acima de US$ 10 bilhões, que tiveram alta de 52% em volume e 53% em valor, impulsionando o mercado para níveis próximos aos recordes históricos observados em 2020.

A pesquisa destaca que grande parte das operações de fusão e aquisição são protagonizadas por empresas que também enfrentam pressões para investir em inteligência artificial (IA). Esse cenário tem gerado uma disputa interna entre áreas por recursos financeiros, a atenção dos executivos e a capacidade de execução, apontam os analistas. Enquanto isso, o capital de risco mantém um ritmo forte, com aumento de 206% em valor, alavancado por megacaptações como os US$ 122 bilhões da OpenAI. Já os fundos de private equity mostraram retração de 9% no mesmo indicador, o que pode refletir uma maior seletividade dos investidores diante do cenário atual.

No Brasil, um aspecto curioso desse movimento econômico é o aumento expressivo do interesse por questões que permeiam o comércio internacional digital. Dados da empresa de tecnologia publicitária Taboola mostram que o termo "taxa das blusinhas" — uma expressão relacionada aos debates sobre imposições fiscais em importações de roupas — cresceu 492% em interesse nos últimos 45 dias, somando 57 mil visualizações em páginas na web aberta. O fenômeno está ligado a discussões públicas entre o Governo Federal e o Congresso Nacional sobre a regulamentação dessas compras.

Esse comportamento do consumidor também beneficia diretamente grandes plataformas asiáticas do comércio eletrônico no país. A Shein, por exemplo, viu seu interesse subir 1.018%, com 61 mil pageviews. A AliExpress registrou crescimento ainda maior, de 1.632% e 52 mil visualizações, enquanto a Shopee avançou 162%, com 107 mil pageviews. Já o TikTok Shop obteve um aumento mais modesto de 23%, totalizando 12 mil visualizações, resultado que, segundo a Taboola, é atribuído à consolidação do modelo de "shoppertainment" — uma mistura de compra e entretenimento — e aos novos investimentos em logística da plataforma no Brasil.

José Luiz de Genova, diretor de operações para a América Latina da Taboola, classifica essa sinergia entre a regulação e o mercado digital: "O consumidor acompanha as discussões regulatórias do comércio internacional no mesmo ritmo em que explora novas plataformas de compra orientadas pelo conteúdo digital". Essa frase sintetiza a relação entre os avanços econômicos globais, a adaptação das empresas ao uso intensivo de tecnologia e o impacto direto no comportamento dos brasileiros diante do comércio eletrônico.

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O que sabemos?

  • Fusões e aquisições globais somaram US$ 2,4 trilhões entre janeiro e maio de 2026, com alta de 41% em relação a 2025.
  • Transações acima de US$ 10 bilhões cresceram 52% em volume e 53% em valor, segundo Bain & Company.
  • Interesse pelo termo "taxa das blusinhas" aumentou 492% nos últimos 45 dias, conforme Taboola.
  • Plataformas asiáticas de e-commerce, como Shein, AliExpress e Shopee, registram crescimento expressivo no interesse dos consumidores brasileiros.

Fontes

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