Estudo revela que alta nos juros impacta o consumidor de forma mais rápida do que suas quedas
Pesquisa do Ibevar e FIA aponta desigualdade no repasse das variações da taxa Selic ao crédito para consumidores
Uma análise de dados do Banco Central revela que a velocidade de transmissão dos aumentos na taxa de juros para o consumidor é maior do que a de quedas. Segundo especialistas, isso ocorre por fatores econômicos e de risco percebido pelas instituições financeiras.
Um novo estudo divulgado pelo Ibevar, em parceria com a FIA Business School, trouxe à tona uma questão importante sobre o impacto das mudanças na taxa básica de juros, a Selic, no bolso dos consumidores brasileiros. Segundo a pesquisa, a transmissão dessas variações não é uniforme: quando os juros sobem, o aumento na taxa cobrada no crédito ao consumidor tende a ser mais rápido e intenso do que o ritmo de alívio em períodos de redução.
A análise, que abrangeu 185 meses de dados oficiais do Banco Central — o equivalente a cerca de 15 anos —, revelou que uma alteração de um ponto percentual na Selic pode levar de um a três meses para se refletir efetivamente nas parcelas do crédito final ao consumidor. Além disso, a média do período analisado mostrou que, a cada variação de um ponto na taxa básica, a cobrança ao consumidor costuma variar em torno de 1,5 ponto percentual. Ainda, de acordo com o estudo, a relação pode variar de 50% a 200%, dependendo do contexto econômico.
Claudio Felisoni, coordenador do estudo e professor da FIA Business School, explicou que a magnitude do repasse desses juros às parcelas finais depende, sobretudo, do momento econômico. Ele afirmou que, em períodos de grandes aumentos na Selic, as instituições financeiras tendem a repassar menos essa alta ao consumidor de forma mais rápida. Já em cenários de pequenas variações, o impacto no crédito ao consumidor costuma ser mais significativo e de mais fácil percepção.
Atualmente, a taxa Selic está em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central. Segundo Felisoni, o mercado financeiro aguarda mais uma redução nesta magnitude ainda para este ano, impulsionada pelo cenário de insegurança econômica, aumento da inadimplência e elevado endividamento das famílias. O estudo estima que, na situação atual, a redução na Selic leva cerca de dois meses para refletir nas taxas ofertadas ao consumidor, sendo que o momento de maior impacto ocorre após esse período.
Apesar de o estudo ainda não ter confirmação oficial de outros órgãos — uma vez que foi divulgado apenas por fontes não oficiais até o momento — ele reforça uma preocupação comum entre especialistas de que a política de juros influencia diretamente o custo do crédito, de forma desigual e muitas vezes assimétrica. Isso levanta a questão de como o consumidor pode ser afetado de forma mais rápida ou lenta, dependendo de fatores econômicos e estratégias dos bancos.
O que sabemos?
- A pesquisa analisou 185 meses de dados do Banco Central.
- Cada ponto percentual na Selic pode causar variação de 1,5% a 2,83% na taxa ao consumidor.
- A taxa Selic está atualmente em 13,75%, após cinco cortes seguidos.
- Estima-se que a transmissão das mudanças na Selic ao crédito leve de um a três meses.
- O estudo foi divulgado por fonte não oficial (CNN Brasil) e aguarda confirmação de outras fontes.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




