Economia

Estudo revela empate salarial entre trabalhadores de plataformas digitais e setor privado, mas com jornada maior para os primeiros

Em apuração ?

Apesar de remuneração semelhante, quem trabalha por aplicativos dedica mais horas semanais ao serviço

Trabalhadores de plataformas digitais durante manifestação
Imagem: BBC News Brasil

Dados do IBGE apontam que renda média dos trabalhadores de plataformas digitais se iguala à dos demais, contudo, com uma jornada mais extensa. Manifestação de entregadores reforça o debate sobre condições de trabalho.

Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4/9) trouxe dados que chamaram atenção para o setor de plataformas digitais, como aplicativos de transporte e entregas. Segundo a pesquisa, a remuneração média desses trabalhadores, em 2025, era de aproximadamente R$ 3.147 por mês, valor que praticamente se igualou ao dos demais empregados do setor privado, que recebiam cerca de R$ 3.148. Essa foi a primeira vez em que a diferença salarial desapareceu, após oscilações ao longo dos últimos anos.

Porém, o que chamou a atenção na análise do IBGE foi a comparação da carga horária. Enquanto os trabalhadores tradicionais trabalham em média 39,3 horas semanais, os trabalhadores de plataformas digitais cumpriram cerca de 44,7 horas — ou seja, uma jornada semanal aproximadamente 5,4 horas maior. Ainda assim, por hora trabalhada, quem atua via aplicativos recebe cerca de R$ 16,20, enquanto os demais rendem R$ 18,40. Isso indica que, apesar de a renda mensal estar praticamente igualada, a condição de trabalho ainda apresenta diferenças significativas.

Esses números fazem parte de um levantamento experimental do IBGE, feito no 3º trimestre de 2025, que abrange cerca de 2 milhões de pessoas em todo o Brasil, incluindo motoristas de transporte de passageiros, entregadores e comerciantes que atuam por plataformas digitais. Segundo análise do órgão, o crescimento do rendimento médio dos demais trabalhadores do setor privado foi de 4,1% em um ano, impulsionado por um mercado aquecido e baixa taxa de desemprego, enquanto a renda dos trabalhadores de aplicativos permaneceu estável, sem ganho real neste período. Gustavo Geaquinto, analista do IBGE, explicou que essa estabilidade possivelmente reflete a falta de aumento salarial real em categorias como motoristas de veículos e motocicletas, que representam cerca de 75% do total de trabalhadores considerados na pesquisa.

Na última terça-feira (1º/9), entregadores de aplicativos promoveram manifestações em várias cidades do país, reivindicando melhores condições de trabalho e reajustes nos valores repassados pelas plataformas. Os protestos, chamados de "breque dos apps", tiveram como principais pedidos uma taxa mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros e mudanças no projeto de lei que regula os direitos desses profissionais. Apesar disso, a pesquisa revelou que, em média, os trabalhadores dessas plataformas dedicam mais horas do que os demais — 44,7 horas contra 39,3 — reforçando a disparidade no volume de trabalho apesar da equiparação salarial aparente.

Segundo a fonte, os entregadores e motoristas desempenham suas funções de forma individual, sem vínculo empregatício, o que leva a questionamentos sobre as condições de trabalho e remuneração real. Ainda não há confirmação de mudanças concretas nas plataformas ou alterações na legislação, mas o debate sobre os direitos e a sustentabilidade dessa modalidade de trabalho continua em evidência. A questão do aumento na oferta de trabalho nessas plataformas permanece sem uma explicação oficial e clara, contribuindo para uma incerteza que impulsiona as manifestações recentes e a discussão pública.

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O que sabemos?

  • A renda média dos trabalhadores de plataformas digitais se igualou à dos demais do setor privado em 2025.
  • Trabalhadores de apps têm jornada semanal maior: cerca de 44,7 horas, contra 39,3 horas dos demais.
  • Remuneração média de trabalhadores de apps em 2025 foi de aproximadamente R$3.147, praticamente igual ao setor privado.
  • No ano anterior, a renda dos trabalhadores de apps era de R$3.115, contra R$2.847 dos demais.
  • Mais de 2 milhões de pessoas trabalham por plataformas digitais no Brasil, com maior concentração na região Sudeste.
  • Manifestação de entregadores ocorreu em várias cidades, reivindicando melhores condições e reajustes.
  • A remuneração por hora dos trabalhadores de plataformas é menor, R$16,20, frente aos R$18,40 dos demais.
  • A alta oferta de trabalho e fatores de mercado podem explicar a estabilidade salarial dos trabalhadores de apps, mas ainda não há confirmação oficial.

Fontes

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