Economia da Argentina apresenta sinais mistos em 2026, enquanto debate no Brasil questiona modelo de Milei
Apesar de crescimento e desaceleração da inflação, pobreza e desemprego aumentam no país vizinho
A Argentina apresentou sinais de recuperação econômica em 2026, mas ainda registra aumento em pobreza e desemprego, o que foi tema do debate presidencial no Brasil, onde se discutiu a influência do modelo argentino.
Em meio a um cenário de alta volátil, a economia argentina voltou a crescer nos dois primeiros trimestres de 2026, mas com sinais sombrios de desigualdade social e dificuldades internas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,3% no primeiro trimestre e 2% no segundo, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Entretanto, esses resultados esconderam uma desaceleração, pois entre abril e junho, o economia encolheu 0,6%, refletindo um quadro de uneven recuperação.
Enquanto setores ligados às exportações, como pesca, mineração e agropecuária, tiveram bom desempenho — a pesca, por exemplo, avançou 44,7% no segundo trimestre —, a indústria manufatureira recuou 2,1%, afetando a geração de empregos e o consumo interno. Dados revelam que o consumo privado caiu 2,4%, e os investimentos, que representam a formação de capital na economia, tiveram uma redução de 11,1%, indicando dificuldades para atividades mais dependentes do mercado interno. Além disso, a produção industrial, fundamental para a saúde da economia, despencou 12% nos primeiros seis meses do ano.
Outro ponto que chamou atenção foi a desaceleração da inflação, que acumulou quase 290% nos últimos 12 meses e foi reduzida a cerca de 30% durante os dois anos de gestão do atual governo. Em agosto de 2026, a inflação mensal atingiu 1,7%, menor do que nos meses anteriores, sinalizando uma tentativa de controle de preços. Ainda assim, o impacto social é evidente: a taxa de pobreza aumentou para 32,3% no primeiro semestre e o desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre, de acordo com dados oficiais. O número de empregadores registrados também diminuiu 6,3% até julho, um sinal de que o mercado de trabalho permanece fragilizado.
Recentemente, a discussão sobre a possível adoção de um modelo econômico semelhante ao de Javier Milei no Brasil ganhou destaque. Durante o primeiro debate do segundo turno das eleições brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, sobre sua aproximação com Milei e se o pretendia reproduzir no Brasil as medidas econômicas adotadas na Argentina. Segundo a coordenadora econômica da campanha de Bolsonaro, Daniella Marques, Milei é uma inspiração por sua proposta de redução de impostos e burocracia, o que alimenta um debate acalorado entre os candidatos. Contudo, as indicações de que o modelo argentino possa ser replicado ainda não foram confirmadas oficialmente por fontes confiáveis, e o próprio clube político de Bolsonaro não se pronunciou até o momento. Assim, o cenário permanece instável e controverso, em meio a indicadores econômicos de melhora parcial e aumentos de vulnerabilidade social. Nesse contexto, o exemplo argentino continua a ser fonte de questionamentos e debates no cenário político brasileiro, com o país observando de perto os desdobramentos da experiência de Milei e do que isso pode representar para seu próprio futuro econômico.
O que sabemos?
- O PIB da Argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre e 2% no segundo trimestre de 2026.
- A inflação desacelerou para cerca de 30% nos dois primeiros anos do governo Milei.
- A taxa de pobreza na Argentina aumentou para 32,3% no primeiro semestre de 2026.
- O desemprego na Argentina atingiu 7,9% no segundo trimestre de 2026.
- Setores exportadores lideraram o crescimento, enquanto a indústria manufatureira caiu 2,1%.
Fontes
- G1 imprensa





