El Salvador volta atrás na implementação do ‘país do bitcoin’ após promessas não cumpridas
Mudanças na política de moeda digital refletem dificuldades e desilusões com o projeto de Bukele
O governo de El Salvador revogou o uso obrigatório do bitcoin, enquanto projetos relacionados à bitcoin city e títulos vulcão não avançaram. A promessa de transformar o país em um centro de inovação financeira parece estar em dúvida.
Desde que o presidente Nayib Bukele anunciou em 2021 a intenção de tornar El Salvador o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda oficial, muita expectativa foi criada. O governo prometia inclusão financeira, redução de custos nas remessas que os salvadorenhos enviavam do exterior, e um projeto futurista de cidade conectada à energia de um vulcão, conhecida como Bitcoin City. No entanto, após quase dois anos, muitos desses objetivos parecem não ter se concretizado.
Segundo fontes próximas ao governo, o experimento de Bukele para transformar o país usando criptomoedas passou por mudanças significativas. Inicialmente, em junho de 2021, a Assembleia Legislativa, então controlada pelo partido do presidente, aprovou a lei que tornava o bitcoin moeda oficial ao lado do dólar americano, que já era a moeda de curso legal no país desde há duas décadas. A promessa era de prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira para uma população majoritariamente não bancarizada.
No entanto, pesquisas indicaram que a maioria dos salvadorenhos não experimentou os benefícios esperados ou deixou de usar a carteira digital criada pelo governo, a Chivo. Na prática, as remessas enviadas via carteiras digitais totalizaram apenas 0,7% do total enviado ao país em início de 2026, uma quantidade considerada inexpressiva. Além disso, projetos emblemáticos, como a construção da Bitcoin City — uma cidade futurista alimentada por energia de um vulcão destinada à mineração da criptomoeda — e a emissão de títulos vulcão, não avançaram como previsto.
Recentemente, ainda segundo informações não confirmadas oficialmente, a empresa Linguard Labs assumiu o controle da carteira digital Chivo, enquanto o Estado salvadorenho continuará como sócio da operação. Essa mudança na gestão levanta dúvidas sobre a continuidade do projeto original. O presidente Bukele, em uma mensagem gravada e exibida durante a conferência Bitcoin 2021 realizada em Miami, declarou que "estamos começando a criar um país para o futuro, preservando o que nos torna únicos e buscando inspiração nas melhores ideias que já surgiram no mundo. E acredito que o bitcoin possa ser uma delas" — uma frase que ilustra ainda o entusiasmo inicial pelo projeto.
Apesar de toda essa expectativa, o que se vê hoje é que o esforço de transformar El Salvador no 'país do bitcoin' se deparou com obstáculos, e muitas das promessas feitas ainda não saíram do papel. A intenção do governo de promover prosperidade com criptomoedas permanece no discurso, mas a prática tem mostrado uma realidade bastante diferente, levando a questionamentos sobre a eficácia dessa estratégia e quem realmente se beneficiou até agora dessas mudanças.
O que sabemos?
- El Salvador revogou o uso obrigatório do bitcoin como moeda oficial.
- Projetos como a Bitcoin City e títulos vulcão não avançaram.
- Remessas por carteiras digitais somaram apenas 0,7% do total enviado ao país em 2026.
- Empresa Linguard Labs assumiu o controle da carteira digital Chivo, enquanto o Estado salvadorenho continua como sócio.
- A promessa de criar um país para o futuro com o bitcoin ainda não se concretizou completamente.
Fontes
- G1 imprensa




