Desigualdade salarial no serviço público supera a média nacional, revela estudo
Dados inéditos mostram concentração de renda entre altos cargos jurídicos do funcionalismo
Levantamento com dados oficiais aponta que a desigualdade entre servidores públicos é ainda maior do que a registrada para toda a população brasileira em 2023, com destaque para magistrados e membros do Ministério Público no topo da pirâmide de rendimentos.
A desigualdade de renda entre servidores públicos brasileiros é maior do que a observada na população geral do país, segundo estudo do auditor da Controladoria-Geral da União (CGU), Sérgio Guedes-Reis, elaborado com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho. O índice de Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 no funcionalismo em 2023, enquanto o indicador para o Brasil naquele ano foi de 0,517. Esse resultado chamou a atenção do auditor, que esperava um cenário oposto.
"A expectativa era que a desigualdade fosse maior no setor privado, onde convivem trabalhadores de baixa renda e uma pequena parcela com ganhos muito elevados", explicou Guedes-Reis. A maior concentração entre servidores públicos, segundo ele, é puxada por uma elite restrita: cerca de 80 mil servidores compõem o 1% mais rico do funcionalismo, e mais da metade pertence às carreiras jurídicas de elite, como magistratura, Ministério Público, advocacia pública e defensoria pública.
Uma análise do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), na forma de Carta do Ibre, reforça esse dado e revela um patamar ainda mais concentrado no topo da pirâmide salarial. Entre os 0,1% dos servidores com os maiores rendimentos, 65% são magistrados ou integrantes do Ministério Público — mostrando a predominância dessas carreiras no grupo com os maiores salários dentro do serviço público.
O índice de Gini varia de zero a um, sendo zero a situação ideal, de total igualdade, e um a máxima desigualdade. Portanto, o número de 0,527 reflete uma forte concentração de renda. O fato de o funcionalismo público superar a média nacional em desigualdade pode indicar distorções no sistema remuneratório do setor.
A informação foi divulgada até o momento apenas pela Folha de S.Paulo, não havendo outras confirmações oficiais ou posicionamentos do governo federal sobre o levantamento. A análise detalhada dos dados deve contribuir para debates futuros sobre a estrutura salarial e a gestão do funcionalismo público brasileiro.
O que sabemos?
- Índice de Gini do funcionalismo público foi 0,527 em 2023
- Indicador para o Brasil em 2023 foi 0,517
- 80 mil servidores formam o 1% mais rico do funcionalismo
- 65% do top 0,1% são magistrados ou membros do Ministério Público
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




