O Caldo Perpétuo que Faz Pensar: O Paradoxo de Teseu no TikTok
Zaq, um norte-americano, mantém um caldo que nunca acaba, despertando debates filosóficos e mostrando uma tradição milenar
Desde 2024, Zaq grava diariamente o preparo de um caldo perpétuo, que é fervido continuamente e renovado com novos ingredientes, gerando reflexões inspiradas no paradoxo grego de Teseu e reafirmando a antiguidade dessa prática na culinária mundial.
Se você substituísse todas as partes de um navio, ele continuaria sendo o mesmo navio? Essa pergunta, conhecida como o Paradoxo de Teseu, ganhou nova vida na internet graças a um norte-americano chamado Zaq, que desde 2024 internacionalizou a reflexão pelo TikTok, compartilhando seu preparo diário de um "caldo perpétuo" chamado Stewtheus – uma brincadeira com as palavras stew (caldo) e Theseus (Teseu).
Nos quase 500 vídeos publicados até agora, Zaq mostra o processo cotidiano de ferver o caldo em uma panela elétrica, avaliando o sabor e adicionando água e novos ingredientes, muitas vezes sugeridos pelos próprios seguidores. O caldo permanece no fogo constantemente, podendo ser servido a qualquer momento, o que cria a sensação de que o alimento está em constante renovação, exatamente como no paradoxo que inspirou o nome da receita.
Apesar de a maioria das interações ser por vídeos curtos, Zaq também realiza, algumas vezes por semana, a limpeza da panela, coando o caldo para retirar a gordura em excesso e os resíduos acumulados no fundo. Ele garante, além disso, consumir o caldo diariamente há mais de um ano, transformando seu projeto em algo que foge do simples experimento de internet ou de uma tendência passageira no TikTok.
A prática de manter caldos perpétuos não é novidade. Segundo a reportagem da Superinteressante que foi a fonte desta matéria, diversas culinárias asiáticas contam com versões semelhantes desde tempos imemoriais. Na cultura japonesa, por exemplo, o caldo perpetuamente aquecido de Otafuku está em preparação desde 1945. Já na Tailândia, Wattana Panich mantém seu caldo fervendo sem interrupção desde 1974. Os entusiastas desses caldos garantem que o sabor é incomparável, resultado da complexidade formada pela constante adição de ingredientes ao longo do tempo.
O projeto de Zaq não apenas revigora essa tradição global, mas também convida os espectadores a uma reflexão sobre identidade e mudança, literalmente comendo um alimento que é diferente a cada dia e, ainda assim, considerado continuação do mesmo caldo original. O “Stewtheus” é, portanto, uma mistura de culinária, filosofia e comunidade virtual, que desafia o modo como pensamos sobre permanência e transformação.
O que sabemos?
- Zaq grava vídeos diários desde 2024 mostrando o preparo contínuo de um caldo perpétuo chamado Stewtheus.
- O caldo é mantido fervendo constantemente em uma panela elétrica e renovado com água e ingredientes sugeridos por seguidores.
- Zaq limpa o caldo algumas vezes por semana para remover gordura e resíduos e consome o caldo diariamente há mais de um ano.
- Caldos perpétuos existem há séculos na culinária asiática, como os de Otafuku (Japão, desde 1945) e Wattana Panich (Tailândia, desde 1974).
O que ainda não foi confirmado?
- Informação sobre a existência dos caldos perpétuos no Japão e Tailândia divulgada apenas por Superinteressante; outras fontes ainda não confirmam.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada

