Araticum: 6 fatos sobre a fruta do Cerrado que amadurece em apenas seis dias
Pesquisa da UFMS revela por que o araticum é tão doce e difícil de conservar
Estudo realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em Campo Grande acompanhou o amadurecimento do araticum, típico do Cerrado, identificando a duração do processo, concentração de açúcares e mudanças nutricionais durante o amadurecimento.
O araticum, fruta típica do bioma Cerrado e também conhecida como marolo, atrai curiosidade pela doçura intensa e pela rápida maturação. Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, acompanhou o amadurecimento dessa fruta e identificou aspectos que explicam tanto seu sabor marcante quanto a dificuldade de conservação após a colheita.
Segundo as pesquisadoras Raquel Pires Campos, Ivanda Piffer Pavão de Araújo, Francielly T. Farias, Ieda Maria Bortolotto e Priscila Aiko Hiane, a pesquisa utilizou frutos colhidos ainda verdes na região de Campo Grande e os manteve em temperatura ambiente para observar as transformações. Os resultados indicaram que o processo completo de amadurecimento ocorre em apenas seis dias, período no qual a casca do fruto escurece até o ponto de plena maturação.
Um dos aspectos mais interessantes do estudo foi a medição da concentração de açúcares na polpa do araticum, que atingiu 20,70 °Brix. Essa unidade é padrão para medir a quantidade de sólidos solúveis (principalmente açúcares) em líquidos e mostra que o araticum é realmente muito doce, o que justifica as comparações populares do sabor da fruta como uma mistura de banana, abacaxi e baunilha — embora essas descrições não tenham comprovação científica, são bastante comuns nas redes sociais.
Além do sabor, as pesquisadoras observaram também alterações nutricionais durante o amadurecimento. A fruta perde parte da vitamina C presente originalmente, mas o nutriente ainda permanece na polpa após ficar madura. Isso indica que o araticum não só é saboroso como também mantém componentes importantes para a saúde.
Outro ponto importante da pesquisa foi confirmar a dificuldade de conservação do araticum após a colheita. A rapidez do amadurecimento em temperatura ambiente dificulta o armazenamento por longos períodos, impactando sua comercialização e uso. Mesmo assim, a fruta se mostra versátil, podendo ser consumida fresca ou usada em uma variedade de preparações culinárias como doces, geleias e iogurtes.
O estudo, que contou com o acompanhamento detalhado do amadurecimento e análise química dos frutos, oferece uma base científica para entender melhor as características do araticum, reforçando o valor da fruta para a biodiversidade e cultura culinária do Cerrado.
O que sabemos?
- O araticum amadurece em seis dias em temperatura ambiente.
- A concentração de açúcares no fruto maduro é de 20,70 °Brix.
- A vitamina C diminui após a maturação, mas permanece presente na polpa.
- A fruta é típica do Cerrado e pode ser consumida fresca ou processada em doces, geleias e iogurtes.
O que ainda não foi confirmado?
- Comparações populares do sabor com banana, abacaxi e baunilha não possuem comprovação científica além das redes sociais.
Fontes
- G1 imprensa

