Araras em Caracas conquistam moradores locais e turistas com visitas diárias à janela
Pássaros silvestres ganham confiança e fazem parte do cotidiano na capital venezuelana
Na Caracas, um grupo de araras frequenta a varanda de uma moradora todos os dias pela manhã, estabelecendo uma conexão especial que encanta visitantes e moradores. A prática, porém, levanta alertas sobre os riscos da interação com aves silvestres.
Todos os dias às 6h da manhã, Adriana Hidalgo, residente de Caracas, realiza uma rotina que parece saída de um filme: alimentar um grupo crescente de araras que visitam sua varanda. Segundo ela, o contato começou de forma gradual, deixandopotes de sementes abertos na sacada e se tornando uma interação diária. Essas aves, que não são pets nem estão presas, retornam com frequência, demonstrando uma certa confiança na mulher, que chegou a reconhecer individualmente alguns pássaros e interagir fisicamente com eles, inclusive publicando vídeos em seu Instagram.
Segundo fontes que acompanham essa prática na cidade, a convivência entre moradores e as araras, que sobrevoam Caracas com facilidade, é bastante comum. O perfil de Hidalgo revela que ela se refere às aves como "almas livres que me escolheram". Imagens e relatos de turistas, como um russo que visitou a Venezuela em 2024, descrevem as araras como animais de tamanhos imponentes e cores vibrantes, que parecem quase dinossauros tropicais. O visitante comentou que uma dessas aves, em um momento, estava ao seu lado comendo sementes direto da mão, um comportamento que surpreendeu e encantou.
Embora essas aves sejam frequentemente vistas na cidade, elas não são nativas de Caracas ou da Venezuela, pois principalmente habitam regiões como a Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica no Brasil, além de lugares na Bolívia, Paraguai e Argentina. Ainda assim, a presença de araras na capital venezuelana é reforçada por problemas históricos como caça e venda ilegais na América do Sul, fatores que têm contribuído para a dispersão de espécies que, originalmente, vivem em ambientes mais preservados. Especialistas alertam que essa convivência pode representar riscos à saúde de pessoas e animais, uma vez que o contato frequente com aves silvestres pode facilitar a transmissão de doenças.
Antes de pensar em ter uma arara como animal de estimação, é importante destacar que ela é uma ave extremamente social, com longevidade significativa e uma inteligência complexa. Devido a essas características, mantê-la em uma residência comum quase nunca é adequado. Muitos venezuelanos, como Adriana, preferem mantê-las livres, onde possam expressar seus comportamentos naturais, e elas retornam porque relacionam os humanos com alimento, carinho e segurança. Apesar do fascínio que esses pássaros provocam, especialistas reforçam que essa interação deve ser feita com cautela e responsabilidade, destacando que a captura e manutenção de aves silvestres como pets é ilegal na maioria dos países, incluindo o Brasil, salvo em situações específicas e com documentação adequada. A prática de alimentar esses animais na rua, embora culturalmente comum em alguns locais, pode contribuir para o desequilíbrio ecológico e colocar em risco a saúde pública e a integridade das espécies.”,
O que sabemos?
- Moradora de Caracas alimenta araras diariamente às 6h.
- As aves não são pets nem presas, mas retornam à varanda.
- Turistas relatam interação próxima com as araras na cidade.
- Espécies de araras não são nativas da Venezuela, mas de áreas como Amazônia e Mata Atlântica.
- Especialistas alertam para riscos de saúde na convivência com aves silvestres.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



