Sepultura de jovem com feitiços em vila polonesa intriga arqueólogos
Estudo reúne análises arqueológicas, DNA antigo e isótopos para desvendar mistérios de enterro incomum
Em 2022, arqueólogos encontraram em Pień, na Polônia, o esqueleto de uma jovem com uma foice posicionada sobre o pescoço e um cadeado no dedão do pé, sinais de um ritual para impedir seu retorno à vida. Pesquisa inédita publicada em 2026 revela detalhes sobre a origem e o temor da comunidade local em torno da jovem conhecida como Zosia.
Quando arqueólogos escavaram uma sepultura próxima à vila de Pień, no norte da Polônia, em 2022, deram de cara com uma cena que chamou atenção pela combinação macabra de artefatos e sinais. O esqueleto encontrado pertencia a uma jovem de aproximadamente 17 a 19 anos, batizada pelos pesquisadores como Zosia, que viveu entre 1620 e 1674. Sobre seu pescoço repousava uma foice de ferro, enquanto um cadeado triangular estava preso ao seu dedão do pé. Segundo os especialistas responsáveis pelo estudo, divulgado em 30 de julho na revista Journal of Archaeological Science: Reports, essa combinação inusitada sugere que seus enterradores tentavam garantir que ela permanecesse no túmulo, evitando que voltasse à vida.
A posição da foice indica um propósito específico: a lâmina estava estrategicamente colocada para decapitar Zosia se ela tentasse se levantar do túmulo. Já o cadeado no dedão do pé funcionaria como um método adicional para mantê-la presa à sepultura. Conforme destaca a CNN, esses dois objetos parecem ter sido colocados em momentos distintos. A análise mostra que o cadeado fazia parte do enterro inicial, enquanto a foice teria sido acrescentada posteriormente, quando o corpo ainda não estava totalmente decomposto.
Essa conclusão foi possível graças ao estado das articulações do esqueleto, que permaneceram alinhadas em sua posição original, sugerindo que a intervenção com a foice ocorreu antes da completa rigidez dos restos mortais ser perdida. A descoberta levantou hipóteses sobre crenças locais do século XVII relacionadas a práticas para evitar que pessoas consideradas perigosas - ou mesmo 'vampiros' segundo o folclore - retornassem após a morte.
O caso de Zosia ganhou repercussão internacional, inclusive integrando o documentário Campo de Vampiros de 2024, que acompanhou cientistas na tentativa de reconstruir o rosto da jovem. Agora, a pesquisa mais recente utiliza um conjunto de tecnologias que incluem a arqueologia tradicional, o estudo do DNA antigo e análise de isótopos para compreender não apenas a origem de Zosia, mas também para tentar desvendar as razões do receio que sua comunidade nutria a ponto de realizar tais rituais mortuários.
A combinação dessas metodologias aponta um panorama mais complexo sobre as crenças da época e contribui para a compreensão das práticas funerárias em regiões rurais da Polônia no século XVII. A publicação do estudo representa um avanço significativo na arqueologia forense e cultural, lançando luz sobre a forma como sociedades do passado lidavam com temas como a morte, o medo e o sobrenatural.
O que sabemos?
- Esqueleto de jovem entre 17 e 19 anos foi encontrado perto da vila de Pień, Polônia, em 2022.
- O corpo, datado entre 1620 e 1674, tinha uma foice sobre o pescoço e um cadeado no dedão do pé.
- O cadeado foi colocado no enterro inicial e a foice adicionada posteriormente, antes da decomposição completa.
- Estudo publicado em 30 de julho de 2026 combina arqueologia, DNA antigo e análise de isótopos.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação sobre os objetos e seus significados foi inicialmente divulgada apenas pela Revista Galileu.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
