Ciência

Picadas de cobra podem causar AVC mesmo com atendimento rápido, alerta estudo

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Pesquisa revela associação entre acidentes ofídicos e acidentes vasculares cerebrais, com alta mortalidade especialmente na Amazônia

Investigação da UEA e da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado aponta que picadas de cobra podem provocar acidentes vasculares cerebrais (AVCs), com taxa de mortalidade superior a 23%.

Um estudo realizado por cientistas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado indica que picadas de cobra podem desencadear acidentes vasculares cerebrais (AVCs), mesmo quando o atendimento médico é prestado rapidamente. A pesquisa, publicada na revista PLoS Neglected Tropical Diseases, reuniu dados de 130 pacientes que sofreram AVC após envenenamento por veneno ofídico.

Segundo o farmacêutico-bioquímico Wuelton Marcelo Monteiro, autor do estudo, "na Amazônia, a população é muito mais afetada por esse problema, seja em número de casos ou na gravidade e mortalidade". O trabalho identificou que os casos analisados estavam distribuídos principalmente na Índia (36,9%), no Brasil (13,9%) e no Sri Lanka (10,8%), além de registros em outros 19 países.

A taxa de mortalidade registrada chegou a 23,4%. O AVC isquêmico foi constatado como o tipo mais frequente, ocorrendo em 61,5% dos casos, superior ao AVC hemorrágico, que representou 38,5%. Ambos os tipos foram registrados.

Um dos fatores agravantes destacados pelo estudo é o acesso limitado a serviços de saúde na região amazônica. "O difícil acesso, com longas distâncias e a concentração do atendimento em áreas urbanas, contribui para o atraso no diagnóstico e no tratamento", explica Monteiro. Essa realidade deixa especialmente vulneráveis as populações indígenas e ribeirinhas, que vivem em locais mais isolados e enfrentam dificuldades para receber cuidados médicos adequados e em tempo hábil.

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O que sabemos?

  • Picadas de cobra podem causar acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
  • O estudo reuniu dados de 130 pacientes que sofreram AVC após envenenamento ofídico.
  • Os casos vieram principalmente da Índia, Brasil e Sri Lanka, além de outros 19 países.
  • A taxa de mortalidade entre esses casos foi de 23,4%.
  • O AVC isquêmico ocorreu em 61,5% dos casos, superior ao hemorrágico, com 38,5%.
  • Ambos os tipos de AVC foram registrados.
  • Na Amazônia, a população é mais afetada, com maior número, gravidade e mortalidade.
  • O difícil acesso a serviços de saúde na região amazônica contribui para atraso no diagnóstico e tratamento.
  • Populações indígenas e ribeirinhas são especialmente vulneráveis devido ao isolamento e dificuldade de acesso a cuidados médicos.

O que ainda não foi confirmado?

  • Sequelas neurológicas comprometem funcionalidades básicas e impactam a qualidade de vida.
  • Impacto específico do veneno em causar obstrução ou rompimento dos vasos sanguíneos cerebrais.
  • Importância do estudo como contribuição para compreensão dos efeitos neurológicos do envenenamento.
  • Necessidade urgente de políticas públicas para ampliar acesso a atendimento especializado.
  • Recomendações médicas sobre avaliação cuidadosa do risco de AVC em pacientes com acidentes ofídicos após intervenção rápida.

Fontes

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