Ciência

Sensor inspirado na pele humana promete alertar amputados sobre pressão excessiva da prótese

Em apuração ?

Tecnologia desenvolvida por cientistas chineses monitora pontos de pressão para evitar feridas e desconfortos em amputados

Sensor bioinspirado para próteses detecta pressão excessiva
Imagem: ScienceAlert

Um novo sensor bioinspirado criado por pesquisadores da China atua como uma pele artificial dentro do encaixe das próteses, identificando pontos de pressão e padrões que podem causar danos à pele dos usuários de membros artificiais.

Uma das principais dificuldades para usuários de próteses é a sensação de pressão excessiva onde o membro artificial se apoia sobre o membro residual, parte do corpo que ainda permanece após a amputação. Essa pressão, se intensa ou prolongada, pode causar desde desconforto até inflamações e úlceras, afetando também o equilíbrio e a mobilidade do usuário. Pensando nisso, cientistas da Universidade de Tecnologia de Zhejiang, na China, desenvolveram um sensor inspirado na pele humana que promete monitorar esses pontos de pressão e alertar precocemente para riscos de lesão.

Segundo Huaping Wu, engenheiro mecânico e autor sênior do estudo publicado na revista Cyborg and Bionic Systems, o dispositivo funciona como uma camada de pele artificial colocada dentro do encaixe da prótese, ou seja, entre a prótese e o membro residual. Diferente de uma prótese completa, este protótipo é um sensor que mede não apenas a intensidade da pressão aplicada, mas também sua localização e duração. Pressões rápidas e pontuais são interpretadas como toques normais, enquanto forças que se repetem ou se acumulam acionam um alerta precoce de perigo para a pele do usuário.

O mecanismo de funcionamento do sensor utiliza duas vias complementares. A primeira é uma via tátil que informa em tempo real onde e quão forte está sendo aplicada a pressão. A segunda é inspirada no conceito de dor humana: ela compila os sinais ao longo do tempo e entre diferentes pontos de pressão, utilizando um material sensível à pressão e transistores semelhantes a sinapses neurais, que têm a capacidade de modificar suas respostas com base em estímulos anteriores. Isso confere ao sensor uma forma básica de memória, fazendo com que, após um estímulo parecido com uma lesão, respostas a pressões menores sejam amplificadas, aumentando sua sensibilidade a possíveis danos futuros.

No estudo, o sistema foi testado inicialmente em uma mão robótica, e também passou por um pequeno ensaio de viabilidade envolvendo pessoas com amputações de membros inferiores. Embora ainda esteja em fase experimental, o avanço é considerado promissor para o desenvolvimento de próteses mais confortáveis e seguras. "O dispositivo não sente dor nem provoca dor no usuário", esclareceu Huaping Wu ao portal ScienceAlert, ressaltando que o objetivo é atuar como uma primeira linha de detecção para prevenção de problemas, e não substituir a sensação do corpo humano.

O desenvolvimento desse tipo de sensor atende a uma necessidade importante da reabilitação, já que o desconforto causado pelo encaixe incorreto da prótese pode comprometer a qualidade de vida de milhares de pessoas que utilizam membros artificiais. Ao oferecer um alerta antecipado sobre condições que podem causar lesões, a tecnologia possibilita ajustes mais precisos e personalizados, trazendo mais segurança e autonomia para os usuários.

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O que sabemos?

  • Cientistas chineses criaram um sensor inspirado na pele humana para próteses.
  • O sensor monitora localização, intensidade e duração da pressão na interface prótese-membro residual.
  • Ele usa material sensível à pressão e transistores que simulam memória para detectar riscos de lesão.
  • O protótipo foi testado em mão robótica e em um pequeno estudo com amputados de membros inferiores.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada inicialmente apenas pelo portal ScienceAlert, aguardando outras fontes.

Fontes

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