Como os primeiros censos transformaram o conhecimento sobre o Brasil
De debates imperiais a um trabalho hercúleo, o Censo de 1920 marcou o início da estatística oficial eficaz no país
Desde o desafio inicial imposto pelo senador Francisco de Assis Mascarenhas em 1826, o Brasil enfrentou dificuldades para mapear sua população até que, quase um século depois, o médico José Luiz Sayão de Bulhões Carvalho liderou o Censo de 1920, considerado o primeiro sucesso real na área, lançando as bases para o IBGE.
Em 9 de maio de 1826, a primeira legislatura do Brasil imperial colocou em pauta uma questão fundamental para a administração do país: a criação de uma Comissão de Estatística. Segundo o senador Francisco de Assis Mascarenhas (1779-1843), “Sem termos a estatística, como conheceremos o Brasil?”. Essa frase tornou-se um marco que anunciou a importância dos dados oficiais para planejamento e políticas públicas, embora o Brasil passasse décadas ainda praticamente desconhecido de seus gestores.
Durante grande parte do século XIX e início do XX, o país tentou realizar censos populacionais, mas muitos foram incompletos ou fracassaram inteiramente, o que dificultava a formulação de estratégias eficientes por parte do governo. Essa situação começou a mudar ao longo da década de 1910, quando o médico e demógrafo José Luiz Sayão de Bulhões Carvalho (1866-1940) assumiu a liderança da Diretoria Geral de Estatística (DGE).
Segundo o historiador Leandro Malavota, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Bulhões Carvalho foi responsável pelo que é considerado o primeiro Censo realmente bem-sucedido no Brasil, realizado em 1920. Esse feito foi fruto de um trabalho intenso e detalhado que levou cerca de cinco anos de preparação, esforçando-se para garantir a precisão e o alcance do levantamento.
O sucesso do Censo de 1920 representou um momento crucial para o país, que até então carecia de dados confiáveis para entender sua composição demográfica e social. Além disso, esse marco preparou o caminho para a formalização, em 1938, do IBGE, que herdou o acervo da DGE e assumiu o papel de órgão central responsável pela produção e disseminação de informações estatísticas oficiais brasileiras.
Hoje, ao olhar para o trabalho pioneiro de Bulhões Carvalho e para a insistência do senador Mascarenhas no século XIX, é possível compreender como a construção de uma base sólida em estatística foi fundamental para tirar o Brasil do desconhecimento administrativo e ajudar na condução de políticas públicas mais eficazes e adequadas às suas reais necessidades.
O que sabemos?
- Em 9 de maio de 1826, foi criada a Comissão de Estatística no Brasil imperial.
- José Luiz Sayão de Bulhões Carvalho liderou a Diretoria Geral de Estatística e coordenou o Censo de 1920.
- O Censo de 1920 foi o primeiro censo brasileiro realmente bem-sucedido, após cinco anos de preparação.
- O IBGE foi formalizado em 1938 e herdou o acervo da Diretoria Geral de Estatística.
O que ainda não foi confirmado?
- As informações foram divulgadas pela Revista Pesquisa FAPESP e aguardam confirmação de outras fontes.
Fontes
- Revista Pesquisa FAPESP fonte oficial
