Astrônomos investigam se uma nuvem de hidrogênio pode ser uma galáxia sem estrelas
Nova análise de uma estrutura interestelar deságua em mistério sobre a formação de estrelas no universo
A Cloud-9, descoberta neste ano, pode ser a primeira de uma nova classe de objetos cósmicos que não possuem estrelas. Novas imagens, mais sensíveis, não detectaram qualquer luz de estrelas, reforçando essa hipótese.
Nos últimos meses, astrônomos têm dedicado esforços para entender a natureza de uma estrutura denominada Cloud-9, uma nuvem de hidrogênio com cerca de 4,9 mil anos-luz de extensão, descoberta no começo deste ano. O grande debate gira em torno de saber se ela realmente não possui estrelas, uma condição rara e que pode indicar a existência de uma nova classe de objetos no universo, denominados Nuvens de Hidrogênio Limitadas pela Reionização, ou RELHICs, na sigla em inglês.
Segundo fontes envolvidas na pesquisa, para investigar a presença de estrelas na Cloud-9, foram utilizadas imagens ultra sensíveis captadas pelo instrumento HiPERCAM, instalado no Gran Telescopio Canarias, nas Ilhas Canárias, Espanha. Estas novas observações são cerca de dez vezes mais precisas que as anteriores, mas, até o momento, não foi detectada nenhuma luz proveniente de estrelas na nuvem. Com esse dado, os pesquisadores conseguiram estabelecer um limite máximo para a quantidade de estrelas que poderiam estar ali: estima-se que a massa estelar do objeto seja de, no máximo, 16 mil vezes a massa do Sol. Essa estimativa sugere que, mesmo considerando uma população primordial de estrelas, a Cloud-9 não superaria esse limite.
De acordo com o estudo, a Cloud-9 contém uma quantidade de hidrogênio equivalente a aproximadamente um milhão de massas solares. Isso, aliado ao fato de que a proporção entre matéria escura — que compõe a maior parte do universo — e matéria comum na estrutura seria de cerca de cinco mil para um, enquanto na maioria das galáxias esse número fica em torno de cinco para um, pode explicar por que ela não formou estrelas até agora. Segundo Andrew Fox, da AURA/STScI, a massa da nuvem está no ponto 'ideal', nem muito pequena nem demasiado massiva: "Se fosse mais massiva, ela entraria em colapso e formaria estrelas, tornando-se uma galáxia; se fosse menor, o gás se desfaria e seria expulso", explicou.
Além disso, há registros de objetos similares, como a nuvem J0613+52, que possui o tamanho da Via Láctea e está localizada a cerca de 270 milhões de anos-luz da Terra. Entretanto, essa nuvem apresenta diferenças relevantes na composição. Com as novas análises, a Cloud-9 ganhou destaque como a candidata mais promissora a uma galáxia sem estrelas, o que poderia desafiar conceitos tradicionais sobre formação de galáxias e estrelas.
Primeiras hipóteses indicam que estruturas como a Cloud-9 são importantes para compreender os processos do universo primordial, especialmente na fase de reionização, quando as primeiras estrelas e galáxias estavam se formando. Ainda assim, a pesquisa está em andamento, e as descobertas ainda não foram oficialmente confirmadas ou publicadas em periódicos científicos revisados. A comunidade astronômica aguarda por novos estudos, pois a confirmação de uma galáxia completamente sem estrelas pode representar um avanço na compreensão do cosmos.
O que sabemos?
- A Cloud-9 é uma nuvem de hidrogênio com aproximadamente 4,9 mil anos-luz de extensão
- Novas imagens ultraprofundas não detectaram luz proveniente de estrelas na nuvem
- A estimativa máxima de massa estelar na Cloud-9 é de cerca de 16 mil vezes a massa do Sol
- A nuvem contém uma quantidade de hidrogênio equivalente a cerca de um milhão de massas solares
- A proporção entre matéria escura e matéria comum na Cloud-9 seria de aproximadamente cinco mil para um, muito maior que na maioria das galáxias
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





