Ciência

Cientistas descobrem uma nova forma de gelo que pode explicar o campo magnético de Urano e Netuno

Em apuração ?

Estudo revela que um tipo específico de gelo super iônico pode estar influenciando os campos magnéticos dos gigantes de gelo do Sistema Solar

Representação artística do interior de Urano e Netuno com destaque para o tipo de gelo super iônico.
Imagem: Superinteressante

Pesquisadores identificaram uma fase inovadora de gelo formada sob altas pressões e temperaturas semelhantes às dos planetas externos. Essa descoberta pode ajudar a entender o estranho campo magnético de Urano e Netuno.

Cientistas internacionais anunciaram uma descoberta que pode lançar luz sobre um antigo mistério astronômico. Segundo uma fonte ligada a uma pesquisa recente, uma nova fase de gelo, chamada de gelo super iônico, foi detectada em condições extremas de pressão e temperatura, similares às presentes na profundidade de Urano e Netuno. Essas duas gigantes gasosas, conhecidas por sua coloração azul e sua composição de gases gelados, possuem campos magnéticos que divergem bastante do padrão clássico encontrado na Terra, jetúrgico que ainda gera debates na comunidade científica.

Atualmente, sabe-se que o campo magnético terrestre se origina no núcleo do planeta, formando uma espécie de dipolo. Para Urano e Netuno, o cenário é bem diferente: seus polos magnéticos estão inclinados em relação ao eixo de rotação (47 e 59 graus, respectivamente), além de apresentarem variações intensas na força magnética ao redor de suas superfícies. Essas diferenças levantam a questão de como esses campos se formam e se sustentam. Segundo ainda não confirmado oficialmente, uma hipótese central é de que o comportamento de certas formas de gelo naquelas regiões possa estar envolvido.

A pesquisa revelou que, usando uma tecnologia avançada chamada bigorna de diamante, os cientistas simularam as condições de alta pressão — atingindo 230 gigapascais, mais de dois milhões de vezes a pressão atmosférica ao nível do mar — e altas temperaturas, chegando a cerca de 1,5 mil graus Celsius. Sob essas condições, foi observada uma nova configuração de moléculas de água, no padrão hexagonal compacto (hcp), que caracteriza uma fase de gelo super iônica. Nessa fase, as moléculas de oxigênio permanecem fixas, formando uma rede cristalina, enquanto os íons de hidrogênio se movem livres, comportando-se como um líquido dentro do sólido. Tal propriedade aumenta a condutividade elétrica do gelo, um fator essencial para a geração de campos magnéticos planetários, principalmente por meio do fluxo de cargas elétricas próximo à superfície.

Essa fase de gelo, cuja existência foi teoricamente prevista na década de 1980 e comprovada em estudos posteriores, é considerada uma das mais abundantes formas de água no universo. Ainda que a descoberta seja recente, ela reforça a teoria de que a presença de gelo super iônico pode influenciar significativamente o campo magnético de corpos celestes como Urano e Netuno. Segundo os pesquisadores, o próximo passo agora é estudar com maior precisão como esse gelo se comporta em termos elétricos e mecânicos, especialmente sob as condições extremas do interior desses planetas, para entender de que forma ele poderia contribuir para os campos magnéticos tão distintos desses gigantes de gelo.

Apesar de ser uma descoberta promissora, a pesquisa ainda está em fase inicial e aguarda confirmações por outras fontes. Até o momento, as informações disponíveis apontam para a possibilidade de que esse tipo de gelo seja uma peça-chave para decifrarmos os enigmas magnéticos dessas esferas celestiais, mudando a compreensão que temos sobre a formação e a dinâmica de planetas tão distantes de nós.

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O que sabemos?

  • Uma nova fase de gelo super iônico foi descoberta sob condições extremas de pressão e temperatura.
  • Ela pode contribuir para explicar o campo magnético de Urano e Netuno.
  • A pesquisa utilizou uma bigorna de diamante para simular as condições planetárias.
  • O gelo em questão apresenta uma estrutura cristalina hexagonal compacta com íons de hidrogênio móveis.

Fontes

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