Especialistas descobrem nova espécie de pinguim após mais de um século
Investigação revela que o grupo de pinguins gentoo é composto por quatro espécies distintas, incluindo uma ainda sem nome oficial
Uma pesquisa publicada em abril revelou que o grupo de pinguins conhecido como gentoo, antes considerado uma única espécie, na verdade é composto por quatro diferentes. A descoberta inclui a identificação de uma espécie nunca antes documentada pela ciência.
Segundo uma publicação do periódico científico Communications Biology, um time internacional de pesquisadores realizou uma análise genética detalhada de pinguins do grupo gentoo, levando à surpreendente descoberta de que eles constituem quatro espécies distintas, o que marca a primeira descoberta de uma nova espécie de pinguim em mais de cem anos. Essa investigação se baseou no sequenciamento genômico de 64 indivíduos coletados em dez locais diferentes, incluindo ilhas localizadas no hemisfério sul, como as Ilhas Crozet, Marion, Macquarie, Malvinas, Martillo, além da Antártica e do arquipélago das Ilhas Kerguelen, no Oceano Índico.
Segundo a fonte, anteriormente acreditava-se que existisse apenas uma espécie, o pinguim-gentoo, mas o estudo evidenciou que espécies que habitam regiões distintas possuem adaptações genéticas específicas. Por exemplo, o pinguim-gentoo-do-leste (Pygoscelis taeniata), que vive em ilhas como Crozet, Marion e Macquarie, apresenta modificações relacionadas à eficiência energética e metabolismo, essenciais devido à escassez de nutrientes nessas áreas. Já o pinguim-gentoo-do-norte (Pygoscelis papua), encontrado nas Ilhas Malvinas e Martillo, tem adaptações para caçar e consumir alimento na água, enquanto o pinguim-gentoo-do-sul (Pygoscelis ellsworthi), residente na Antártica, possui genes ligados ao armazenamento de gordura e geração de calor, essenciais para sobreviver ao frio intenso. Além dessas, uma quarta linhagem foi identificada, a nova espécie batizada provisoriamente de gentoo-do-sudeste (Pygoscelis kerguelensis), que habita as Ilhas Kerguelen, uma área remota do Oceano Índico. Apesar de semelhantes aos demais por características externas quase imperceptíveis, as diferenças genéticas indicam que ela é uma nova espécie, cuja primeira amostra foi coletada em 1897, ainda sem nomenclatura oficial.
Segundo os pesquisadores, a dieta dos pinguins-gentoo, que consiste em capturar o que estiver disponível na água, foi um fator crucial na evolução dessas linhagens. A ausência de seletividade na alimentação favoreceu adaptações locais, uma vez que eles permanecem na mesma região por gerações. No entanto, essa descoberta traz implicações importantes para a conservação, especialmente considerando que o aquecimento global deve ameaçar significativamente as regiões onde essas aves vivem. A projeção aponta que, até 2050, pelo menos três dessas espécies deverão ter seus habitats drasticamente alterados ou destruídos, com a exceção do Pygoscelis ellsworthi, que habita a Antártica.
De acordo com o estudo, há uma necessidade urgente de se revisar a classificação científica dos pinguins gentoo, dando reconhecimento às quatro espécies distintas. Os autores destacam que compreender essas diferenças é fundamental para as estratégias de preservação, uma vez que espécies diferentes terão necessidades ambientais específicas e diferentes graus de risco de extinção. Ainda não há confirmação oficial sobre ações concretas de preservação decorrentes da pesquisa, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre o tema, que ainda aguarda maior atenção do meio científico e das organizações ambientais.
O que sabemos?
- Nova espécie de pinguim foi identificada em estudo científico publicado em abril de 2023.
- A pesquisa mostrou que os pinguins gentoo são, na verdade, quatro espécies distintas.
- A nova espécie foi batizada de gentoo-do-sudeste (Pygoscelis kerguelensis) e vive nas Ilhas Kerguelen.
- As diferenças entre as espécies estão principalmente na genética, com pequenas variações externas.
- O estudo alerta que o aquecimento global deve prejudicar três dessas espécies até 2050.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada




