Ciência

Primeiro Nobel de neurociência destaca cientista que revolucionou o estudo do cérebro

Em apuração ?

A conquista de Karl Deisseroth acende esperança na compreensão dos circuitos neurais e impacto na medicina

Ilustração de neurônios sendo ativados por luz azul
Imagem: Folha de S.Paulo

O neurocientista e psiquiatra Karl Deisseroth recebeu o Nobel por desenvolver uma ferramenta que permite ativar neurônios com luz. Sua pesquisa promete avanços no tratamento de doenças mentais e na compreensão das emoções humanas.

Segundo fontes da Folha de S.Paulo, Karl Deisseroth, neurocientista e psiquiatra da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, foi o mais novo laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. A premiação reconhece sua contribuição fundamental ao desenvolvimento de uma técnica que permite controlar neurônios usando luz, uma inovação que promete transformar o campo da neurociência. Deisseroth relata que seu interesse pela compreensão dos circuitos cerebrais surgiu a partir de seu envolvimento com a psiquiatria, buscando entender os mecanismos por trás dos nossos sentimentos e comportamentos.

De acordo com a Folha, a formação do premiado é rigorosa: nos EUA, são necessários ao menos dez anos de estudos avançados, incluindo graduação, escola de medicina e pós-graduação. Ele se formou na Universidade Stanford em 2000, onde já trabalhava com pesquisa e atendimento psiquiátrico. Na busca por métodos mais precisos de estudar o cérebro, Deisseroth ficou insatisfeito com as ferramentas disponíveis na época, que eram rudimentares e acionavam grupos inteiros de neurônios ao invés de circuitos específicos.

A grande virada veio em 2003, quando soube de uma proteína fotossensível descoberta por dois cientistas alemães, Georg Nagel e Peter Hegemann, em uma alga. A proteína funcionava como um canal que, sob luz azul, se abria e permitia a passagem de íons, ativando os neurônios de forma precisa. Segundo a Folha, Deisseroth enviou um email para Nagel pedindo o DNA para inserir o gene dessa proteína em células humanas, e dois anos depois, eles publicaram o primeiro estudo demonstrando que essa proteína tornava neurônios sensíveis à luz azul.

Com essa descoberta, o próximo passo foi usar manipulação genética para direcionar a proteína apenas a neurônios específicos. Assim, com luz injetada via fibra óptica, os cientistas podem ativar exatamente os circuitos cerebrais que desejam, sem efeitos colaterais ou ativações indesejadas. Ainda segundo a fonte, essa tecnologia, conhecida como optogenética, é considerada uma das maiores realizações recentes na neurociência e pode abrir caminho para novos tratamentos em doenças psiquiátricas, além de ampliar nossa compreensão sobre como emoções e comportamentos são gerados no cérebro.

Por ora, o clube das informações ainda não confirmou oficialmente o Nobel de Deisseroth, e o próprio cientista não se pronunciou publicamente após a premiação. Portanto, os detalhes finais e o impacto imediato dessa conquista ainda estão em avaliação, mas a possibilidade de usar luz para manipular circuitos neurais é, sem dúvidas, uma revolução na área médica e científica, valorada pelo reconhecimento internacional. O momento reforça a importância da pesquisa básica para conquistas que podem beneficiar milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em um momento em que a saúde mental é cada vez mais prioritária na agenda global.

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O que sabemos?

  • Karl Deisseroth recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina.
  • Ele é neurocientista e psiquiatra da Universidade Vanderbilt.
  • Sua pesquisa utilizando luz para ativar neurônios revolucionou o estudo do cérebro.
  • A ferramenta, baseada na descoberta de proteínas fotossensíveis, permite manipular circuitos neurais com precisão.
  • Ainda não há confirmação oficial do Nobel, e Deisseroth não se pronunciou após a premiação.

Fontes

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