Ciência

Resíduos humanos encontrados a quase 4 mil metros de profundidade no Atlântico Sul

Em apuração ?

Expedição revela o alcance da poluição no oceano profundo, incluindo uma bota e redes de pesca

Robô subaquático explora fundo do oceano com lixo visível ao redor
Imagem: Olhar Digital

Uma equipe de pesquisadores utilizou um robô subaquático para explorar até 3.820 metros de profundidade, descobrindo lixo humano em regiões remotas do Atlântico Sul. Os resíduos incluem objetos como uma bota e redes de pesca, além de sinais de impacto na vida marinha.

Pesquisadores que exploraram o fundo do oceano Atlântico Sul descobriram a presença de resíduos humanos a uma profundidade de até 3.820 metros, revelando o alcance da poluição em regiões até então consideradas remotas. A missão, que utilizou um robô subaquático do tipo ROV SuBastian, realizou 17 mergulhos entre julho e agosto de 2025, registrando, além do lixo, cerca de 40 espécies que podem ser novas para a ciência, demonstrando a biodiversidade ainda pouco conhecida nessas profundidades.

Segundo um dos integrantes da equipe, o biólogo marinho Daniel Laurett, a peça de lixo mais marcante foi uma única bota localizada no fundo do mar. Ele descreveu a descoberta: "Para mim, a peça individual de lixo mais marcante foi uma única bota, caída no fundo do mar." Além disso, ao longo de várias explorações, foram registrados diferentes tipos de resíduos, entre eles cordas de pesca e sacolas plásticas. Uma dessas cordas de pesca, por exemplo, apareceu repentinamente diante do ROV em um dos mergulhos, obrigando a equipe a parar a operação para evitar uma colisão, uma situação que evidencia o risco que esses resíduos representam para as missões científicas.

Ainda segundo fontes que participaram da pesquisa, a origem dos resíduos é provavelmente relacionada à pesca comercial, embora outras fontes, como embarcações recreativas e atividades terrestres, também possam contribuir, dado o efeito das correntes marinhas que transportam objetos por longas distâncias. As imagens capturadas mostraram animais marinhos, como uma estrela-do-mar, presa a uma sacola plástica, enquanto vermes de mar profundo colonizaram uma corda de pesca, indicando o impacto direto na fauna local. Os pesquisadores apontam que esses resíduos podem alterar as comunidades ecológicas do fundo do oceano, funcionando como superfícies artificiais de colonização para organismos e facilitando o transporte de espécies para regiões onde normalmente não ocorreriam, embora os efeitos ecológicos dessa ação ainda não estejam totalmente compreendidos.

Segundo ainda não confirmado oficialmente, essa pesquisa reforça que a poluição marinha é um problema global, atingindo até as áreas mais remotas do planeta. A preocupação agora fica voltada para entender o quanto esses resíduos influenciam a biodiversidade e o equilíbrio próprio do oceano profundo, um ambiente que permanece em grande parte pouco estudado. A equipe responsável pela expedição destacou a importância de continuar monitorando essas regiões, para que políticas de redução de lixo no mar sejam intensificadas, prevenindo danos ainda maiores ao ecossistema oceânico.

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O que sabemos?

  • Robô subaquático explorou até 3.820 metros de profundidade.
  • Lixo humano foi encontrado no fundo do Atlântico Sul.
  • Resíduos incluem uma bota, redes de pesca e sacolas plásticas.
  • Animais marinhos foram vistos presos ou colonizados por lixo.
  • Origem do lixo provavelmente relacionado à pesca comercial.

Fontes

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