Interior de Marte é mais quente e desigual, revelam estudos recentes
Pesquisa liderada por cientistas dos EUA aponta até 400°C a mais no manto do hemisfério sul do planeta vermelho
Uma análise inédita usando dados de missões espaciais mostra que o manto de Marte apresenta uma temperatura significativamente mais alta no hemisfério sul, com implicações para sua história geológica.
Uma descoberta recente feita por pesquisadores dos Estados Unidos trouxe à luz uma característica inédita do planeta Marte: seu interior esconde diferenças térmicas profundas, que não são visíveis na superfície. Segundo a equipe liderada por Alexander Berne, da Universidade do Arizona, o manto do hemisfério sul marciano pode ser entre 200°C e 400°C mais quente que o do hemisfério norte, com regiões parcialmente derretidas. Essa constatação é fruto de uma pesquisa publicada em 26 de agosto de 2026 na revista Nature.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram a técnica da tomografia de maré, que analisa pequenas variações na velocidade das espaçonaves causadas por mudanças no campo gravitacional de Marte. Esses dados foram coletados ao longo de décadas por três diferentes missões: Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter. Conforme exposto por Berne, essas variações gravitacionais estão relacionadas à influência do Sol sobre o planeta, que muda ao longo das estações em função da órbita ligeiramente elíptica de Marte e da inclinação de seu eixo.
O método permitiu que os pesquisadores reconstruíssem um modelo tridimensional do interior marciano, revelando uma assimetria térmica significativa. "Costumamos considerar que o interior de corpos planetários apresenta uma estrutura aproximadamente simétrica em todas as direções", explicou o cientista em comunicado, destacando que a acumulação de dados gravitacionais possibilitou identificar as complexidades internas do planeta vermelho.
Essa diferença térmica interna oferece pistas sobre a história geológica de Marte e os períodos em que o planeta pode ter tido condições favoráveis para a existência de vida.
O que sabemos?
- O manto do hemisfério sul de Marte pode ser entre 200°C e 400°C mais quente que o do hemisfério norte.
- Regiões do manto no hemisfério sul podem estar parcialmente derretidas.
- A pesquisa foi publicada em 26 de agosto de 2026, liderada por Alexander Berne da Universidade do Arizona.
- Os dados utilizados foram coletados por Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter ao longo de décadas.
- A técnica usada foi a tomografia de maré, que analisa variações na velocidade das espaçonaves causadas por mudanças no campo gravitacional de Marte relacionadas à influência gravitacional do Sol e à órbita e inclinação de Marte.
- O modelo obtido revela uma estrutura interna assimétrica em Marte.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas pela Revista Galileu; aguardando outras fontes
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
