Ciência

Debate internacional trava tentativa de controle global da poluição plástica

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Especialistas alertam para impasses na negociação de tratado que visa reduzir a produção de plástico

Cena de debate sobre poluição plástica com especialistas em uma conferência
Imagem: Agência FAPESP

Durante evento em Campinas, cientistas discutiram os obstáculos nas negociações para um tratado global contra a poluição plástica. O principal entrave é a redução da produção de plástico na origem, uma medida que ainda enfrenta resistência de países produtores de petróleo.

Ao encerrar a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos, realizada em Campinas até o dia 11 de setembro, especialistas em meio ambiente evidenciaram as dificuldades enfrentadas pelo mundo na elaboração de um tratado global para combater a poluição plástica. Segundo a Agência FAPESP, o principal impasse nas negociações atuais é a divergência entre nações produtoras de petróleo que resistem à imposição de limites à produção de plástico, e um grupo de 66 países, conhecido como Coalizão de Alta Ambição, que defende medidas abrangentes ao longo de todo o ciclo de vida do material. Durante o simpósio, o cientista Martin Wagner, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, e Richard Thompson, da Universidade de Plymouth no Reino Unido, destacaram que o acordo, firmado em 2022 na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente por 175 países, ainda não avançou devido a desacordos que envolvem cerca de cem nações, incluindo o Brasil. Thompson, considerado um dos pioneiros na pesquisa sobre microplásticos, afirmou que "se seguirmos apenas com a gestão de resíduos, o problema continua o mesmo. A ciência diz que assim nunca equacionaremos a questão. O que precisamos é pensar sobre o que estamos produzindo, e produzir melhor". O debate também abordou a necessidade de ações upstream — ou seja, no início do ciclo de vida do plástico, na fase de produção, para favorecer o desenvolvimento de produtos mais seguros e eficientes. Wagner destacou a importância de medidas como a transparência química, que obriga os fabricantes a divulgar a composição de seus produtos, e a transição justa, que leva em conta as necessidades de catadores de resíduos e o equilíbrio entre países em diferentes níveis de desenvolvimento. Ainda, Thompson revelou que uma das possibilidades é a assinatura de um acordo entre as nações mais ambiciosas, com a intenção de convencer gradualmente os demais a aderir às medidas propostas. Contudo, o tema ainda está em discussão e aguarda uma definição clara, o que demonstra os complexos interesses econômicos envolvidos no tema.
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O que sabemos?

  • O principal obstáculo às negociações do tratado global contra a poluição plástica é a resistência de países produtores de petróleo à redução da produção de plástico.
  • O tratado foi assinado por 175 nações em 2022, na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
  • Cerca de cem nações, incluindo o Brasil, ainda não chegaram a um consenso.
  • Especialistas destacam a importância de ações no início do ciclo de vida do plástico, além da gestão de resíduos.
  • A proposta é que as negociações evoluam com a assinatura de um acordo entre países mais ambiciosos, que incentivo a adesão de outros ao longo do tempo.

Fontes

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