Como um antigo aquecimento global afetou as florestas do planeta há 56 milhões de anos
Estudo revela que as florestas levaram mais de 100 mil anos para se recuperar da perda de cobertura causada pelo evento PETM
Uma pesquisa publicada na revista Science revela que durante o Paleocene-Eocene Thermal Maximum, há cerca de 56 milhões de anos, o aumento abrupto do dióxido de carbono causou um declínio massivo na cobertura das copas das florestas, oferecendo pistas sobre os riscos do aquecimento global atual.
Cerca de 56 milhões de anos atrás, a Terra enfrentou um dos seus episódios mais intensos de aquecimento global, chamado Paleocene-Eocene Thermal Maximum, ou PETM, durante o qual os níveis atmosféricos de dióxido de carbono (CO2) aumentaram drasticamente. Segundo Regan Dunn, paleobotanista do Natural History Museum de Los Angeles e coautor do estudo publicado em 13 de agosto na revista Science, as florestas sofreram uma queda significativa na cobertura das copas das árvores e demoraram mais de 100 mil anos para se recompor completamente.
O estudo utilizou fragmentos fossilizados de folhas encontrados na bacia de Hanna, no sul-centro do estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Esses fragmentos preservam a forma das células mais externas das folhas, que indicam a quantidade de luz solar recebida durante o crescimento, possibilitando aos pesquisadores reconstruir o dossel – a camada superior das florestas onde as folhas se distribuem para captar luz.
Dunn destaca que “a Terra nunca experimentou uma liberação de carbono na velocidade que estamos provocando hoje”. O PETM, portanto, é um importante espelho para compreendermos como o clima e os ecossistemas do planeta podem reagir a uma injeção massiva de carbono na atmosfera antes da interferência humana.
Embora o dióxido de carbono seja um componente essencial para a fotossíntese – processo pelo qual as plantas produzem energia – o aumento excessivo de CO2 vem acompanhado de elevações da temperatura, eventos climáticos extremos e maior propagação de patógenos, fatores que provocam estresse e morte nas plantas, contrapondo os efeitos teóricos de maior crescimento vegetal.
O estudo contribui para compreender as complexas respostas dos ecossistemas florestais frente ao desequilíbrio ambiental causado pelo aquecimento global. Ao analisar o passado remoto da Terra, pesquisadores obtêm pistas valiosas sobre os riscos futuros, quando mais do que nunca, se faz urgente refletir sobre o ritmo atual da emissão de gases do efeito estufa e as consequências para a vida na superfície do planeta.
O que sabemos?
- Há cerca de 56 milhões de anos ocorreu o Paleocene-Eocene Thermal Maximum (PETM), um intenso período de aquecimento global.
- Durante o PETM, o dióxido de carbono atmosférico aumentou rapidamente e causou declínio massivo na cobertura das copas das florestas.
- As florestas demoraram mais de 100 mil anos para se recuperar desse impacto, segundo estudo publicado em 13 de agosto na revista Science.
- Pesquisadores usaram fragmentos fossilizados de folhas disponíveis na bacia de Hanna, Wyoming, para reconstruir o dossel florestal da época.
O que ainda não foi confirmado?
- Informações divulgadas inicialmente apenas pela Smithsonian Magazine; outras fontes ainda não confirmaram.
Fontes
- Smithsonian Magazine fonte especializada
