Ciência

Minerais comuns podem abrir caminho para nova geração de dispositivos eletrônicos

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Pesquisa brasileira investiga potencial dos filossilicatos em materiais bidimensionais

Representação de camadas atômicas de filossilicatos
Imagem: Revista Pesquisa FAPESP

Estudo no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron analisa minerais abundantes na natureza como base para inovação em tecnologia optoeletrônica, seguindo legado do grafeno.

Desde a revolucionária descoberta do grafeno em 2004, quando os físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, conseguiram isolar uma única camada atômica de grafite usando fita adesiva comum, a busca por novos materiais bidimensionais não para. O grafeno surpreendeu pela combinação de alta condutividade elétrica e térmica com extrema flexibilidade, e sua aparição inaugurou uma nova fronteira para os chamados materiais 2D, que têm propriedades físicas muitas vezes ausentes em suas formas tridimensionais.

Apesar de o grafeno ter conquistado o Nobel de Física em 2010, os cientistas continuam explorando outros materiais lamelares, na tentativa de ampliar as possibilidades de aplicações tecnológicas. Uma dessas linhas de pesquisa, realizada no Brasil, concentra-se nos filossilicatos, minerais abundantes na natureza e de baixo custo. Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem), lidera o estudo financiado pela FAPESP que investiga como esses minerais podem servir de base para novos dispositivos optoeletrônicos e nanofotônicos.

Filossilicatos são uma família de minerais caracterizados por estruturas em camadas, o que os torna potenciais candidatos para a obtenção de materiais bidimensionais com características físicas inéditas. Segundo a pesquisadora, esses minerais oferecem uma alternativa viável e economicamente acessível para a fabricação de componentes que utilizem as propriedades óticas e eletrônicas em escala nanométrica, o que pode impactar setores como comunicação, sensores e aparelhos eletrônicos avançados.

Essa pesquisa brasileira acontece em um contexto global de intenso interesse na área de materiais 2D, cuja particularidade é manter propriedades físicas únicas mesmo com espessura reduzida a uma ou poucas camadas atômicas. As vantagens do grafeno abriram caminho para que outros materiais lamelares fossem estudados, mas o custo e a complexidade para obtenção de certos elementos ainda limitam sua aplicação em larga escala. A descoberta do potencial dos filossilicatos, por serem minerais comuns, pode superar essa barreira, afirmam os pesquisadores.

A investigação coordenada por Ingrid Barcelos no LNLS utiliza técnicas avançadas de luz síncrotron para analisar as características eletrônicas e estruturais desses materiais, aumentando o conhecimento sobre como esses minerais podem ser manipulados para atender as demandas tecnológicas atuais. O apoio da FAPESP é fundamental para o avanço dessa pesquisa, que busca transformar insumos naturais e acessíveis em soluções para a próxima geração de tecnologia optoeletrônica.

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O que sabemos?

  • Em 2004, Andre Geim e Konstantin Novoselov isolaram uma folha atômica de grafite, criando o grafeno.
  • O grafeno é um material 2D com alta condutividade elétrica e térmica e extrema flexibilidade.
  • Ingrid Barcelos, pesquisadora do LNLS/Cnpem, pesquisa materiais 2D derivados de filossilicatos.
  • A pesquisa é financiada pela FAPESP e foca no potencial dos filossilicatos para dispositivos optoeletrônicos e nanofotônicos.

Fontes

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