Ciência

Exposição revela bastidores de investigação forense sobre vítimas da ditadura militar

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Mostra imersiva apresenta rotina de peritos na identificação de ossadas e memória histórica

Entre 14 de agosto e 27 de setembro, o Centro Maria Antonia da USP recebe exposição que exibe o trabalho investigativo forense sobre remanescentes de vítimas do regime militar, incluindo programação cultural e debates.

Uma exposição inédita traz ao público os desafios e metodologias de peritos que investigam ossadas humanas pertencentes a vítimas da ditadura militar brasileira. No Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os pesquisadores analisam fragmentos ósseos, buscando identificar quem eram essas pessoas e os crimes cometidos contra elas. Segundo divulgação do CAAF-Unifesp, a rotina dos especialistas, registrada em vídeo ao longo dos últimos quatro anos para fins científicos, foi transformada na mostra "Fazer falar os ossos: engajamentos presentes com o passado".

A exposição está aberta ao público no Centro Maria Antonia da Universidade de São Paulo (USP) entre os dias 14 de agosto e 27 de setembro, na capital paulista. No espaço, visitantes têm a oportunidade de vivenciar, de forma imersiva, os passos do processo forense, incluindo a análise detalhada de ossadas humanas que chegam de diversas regiões do país. Três profissionais vistas na divulgação aparecem reunidas em volta de uma mesa coberta por panos azuis, onde se encontram os remanescentes ósseos, com uma delas apontando para imagens em apostila, indicando a discussão e interpretação conjunta que caracteriza o trabalho no laboratório.

Além da exposição, a programação paralela oferece filmes relacionados ao tema, como "Nuestras Madres", dirigido pelo cineasta guatemalteco César Díaz, e "Madres Paralelas", de Pedro Almodóvar. Também acontecem debates, oficinas sobre técnicas forenses, e mesas redondas com familiares de desaparecidos políticos, promovendo um diálogo entre ciência, memória e história. Essas atividades buscam ampliar o entendimento público sobre os impactos da ditadura e a busca por justiça.

O trabalho desenvolvido no CAAF é fundamental não só para esclarecer crimes do passado, mas para construir conhecimento técnico e histórico a partir de vestígios humanos muitas vezes fragmentados e deteriorados. Segundo a equipe, essa pesquisa combina rigor científico com engajamento social, oferecendo uma resposta às famílias e à sociedade sobre os desaparecidos políticos.

Exposições como esta são importantes para aproximar as ciências forenses da população, ajudando a preservar a memória histórica e a reconhecer as vítimas que ainda aguardam identificação. Ao trazer para o público os detalhes do processo que une análise técnica e humanização, a mostra reforça o compromisso com a verdade e a memória num país que ainda convive com as consequências da ditadura militar.

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O que sabemos?

  • A exposição "Fazer falar os ossos" estará aberta à visitação de 14 de agosto a 27 de setembro no Centro Maria Antonia da USP.
  • O CAAF da Unifesp realiza pesquisas forenses sobre ossadas de vítimas da ditadura militar no Brasil.
  • A rotina dos peritos foi documentada em vídeo durante quatro anos para uma pesquisa científica.
  • A programação paralela da exposição inclui filmes, debates, oficinas e mesas redondas com familiares de desaparecidos políticos.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Revista Pesquisa FAPESP; aguardando outras fontes.

Fontes

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