Ciência

Pesquisa transforma descarte da mandioca em ração para o gado na época de seca em Mato Grosso

Em apuração ?

Estudo mostra potencial de aproveitamento de partes da planta geralmente descartadas como alimento de baixo custo para rebanhos

Mandaoca seca e ração para o gado being prepared.
Imagem: G1

Pesquisadores da UFMT e da Empaer estão explorando o uso da parte aérea da mandioca como suplemento nutritivo para o gado durante o período de estiagem, oferecendo uma alternativa sustentável e econômica.

Em Mato Grosso, uma iniciativa inovadora busca transformar um descarte comum na lavoura de mandioca em uma solução para os desafios da seca que afeta a região. Segundo informações de uma fonte da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pesquisadores da instituição, em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), estão estudando o uso da parte aérea da mandioca — o terço superior da planta, que geralmente é deixado no campo — como um suplemento nutritivo para o gado durante o período de estiagem.

O estudo, conduzido pelo Grupo de Estudos e Extensão em Forragicultura e Conservação de Forragens (GEFOR), sob orientação do professor Dr. Joadil Gonçalves de Abreu, visa desenvolver uma alternativa de baixo custo para os pecuaristas enfrentarem a redução da qualidade das pastagens no inverno e na seca. Segundo o professor, a proposta é oferecer uma solução sustentável que possa reduzir a dependência de alimentos tradicionais, cuja disponibilidade diminui nessa época.

De acordo com a pesquisa, o material que costuma ser descartado após a colheita — as folhas e os ramos do topo da mandioca — tem potencial de se tornar um superalimento para os animais. Ainda segundo a fonte, esse material necessita passar pelo processo de secagem para transformar-se em feno, o que ajuda também a eliminar compostos tóxicos que poderiam prejudicar a saúde do gado. O procedimento, ainda em fase inicial de estudos, visa garantir que o alimento seja seguro e nutritivo.

Segundo a mesma fonte, uma das dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas na seca é a queda da proteína das pastagens, que costuma cair para cerca de 5% a 6%. Para manter os animais saudáveis e evitar perdas de peso, é preciso oferecer um alimento com teor proteico de pelo menos 7%, o que nem sempre é possível com as opções tradicionais disponíveis no período. Assim, a adaptação da parte aérea da mandioca poderia preencher essa lacuna, de forma sustentável e econômica.

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O estudo ainda está na fase de análise de diferentes variedades de mandioca, principalmente as destinadas à indústria, e não se sabe ao certo quando os resultados poderão ser considerados definitivos ou divulgados para o público. A expectativa dos pesquisadores é de realizar um Dia de Campo no início do próximo ano agrícola em Santo Antônio de Leverger, uma oportunidade para apresentar as técnicas e os benefícios do uso do material às próprias comunidades rurais.

A iniciativa é acompanhada de perto pela Empaer, que desde 2012 trabalha na diversificação do uso da mandioca, buscando cultivar variedades mais adaptadas às diferentes regiões do Mato Grosso e incentivar práticas de sustentabilidade na agricultura. Ainda não há confirmação de que o uso do material na alimentação do gado tenha sido testado em larga escala, nem de que os resultados possam ser aplicados imediatamente na rotina dos pecuaristas, mas a possibilidade de aproveitar resíduos e melhorar a nutrição animal tem despertado interesse na região.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores da UFMT e Empaer estudam uso da parte aérea da mandioca como ração para o gado.
  • O material descartado normalmente é deixado no campo, mas pode ser transformado em feno após secagem.
  • A pesquisa está em fase inicial e busca oferecer uma alternativa sustentável para a seca em Mato Grosso.

Fontes

  • G1 imprensa
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