Pandemia de explosões de nuvens de fogo no planeta e seus efeitos na atmosfera
Cientistas estudam fenômeno que pode alterar clima e clima das regiões atingidas
Pesquisadores da NASA investigam as chamadas pyrocumulonimbus, nuvens geradas por incêndios florestais intensos que alcançam altitudes elevadas, influenciando o clima global.
Recentemente, um incêndio na região de Idaho, nos Estados Unidos, chamou atenção por ter desencadeado um fenômeno atmosférico pouco comum conhecido como nuvem de fogo ou pyrocumulonimbus (pyroCb). Segundo informações divulgadas pela NASA, esse tipo de nuvem é gerado por incêndios de grande magnitude e possui características que as tornam objeto de estudos científicos há anos. Essas nuvens podem atingir altitudes entre 10 e 15 quilômetros, chegando até a estratosfera, o que possibilita que o fumaça e partículas ali presentes se espalhem por continentes inteiros e permaneçam na atmosfera por períodos prolongados.
De acordo com um comunicado da NASA, durante seis semanas de campanha de pesquisa, os cientistas coletaram dados por meio de voos de aeronaves especiais, incluindo um jato Gulfstream e o avião ER-2, equipado com diversos instrumentos de monitoramento. A equipe observou partículas de fumaça, gases, cristais de gelo e refletância de radiação, cruzando regiões acima, abaixo e dentro das nuvens criadas pelo fogo. Ainda não há confirmação oficial se este fenômeno é impulsionado exclusivamente pela intensidade do fogo ou por condições atmosféricas específicas, porém a pesquisadora Olga Kalashnikova destaca a importância de entender esse mecanismo, pois o smoke produzido pode influenciar o clima, além de gerar ventos perigosos que podem aumentar a complexidade do combate ao incêndio.
O cientista Neil Lareau, ligado à Universidade de Nevada, Reno, afirma que essas nuvens de fogo são uma forma de meteorologia gerada pelo próprio incêndio, ou seja, o fogo produz seu próprio clima, incluindo trovões, ventos e mudanças repentinas de direção do vento — fatores que, se previstos com maior precisão, poderiam ajudar na operação de combate aos incêndios florestais. O estudo visa a criação de alertas semelhantes aos de tempestades severas, permitindo que equipes de incêndio se preparem para fenômenos atmosféricos que possam aumentar o risco e dificultar o controle das chamas na base do incêndio.
Apesar do avanço na compreensão dessas nuvens de fogo, muitas dúvidas permanecem, sobretudo sobre sua formação exata e impacto a longo prazo na atmosfera. A pesquisa conduzida pela NASA representa uma etapa importante na tentativa de desvendar esse fenômeno que, embora ainda pouco conhecido, tem potencial de afetar o clima e a saúde do planeta. Ainda não há previsão de quando novas informações poderão ser disponibilizadas oficialmente, nem confirmação de que outros incêndios ao redor do mundo também estão gerando pyroCbs com frequência.
O que sabemos?
- Incêndio na Idahao gerou uma nuvem de fogo (pyrocumulonimbus).
- Pesquisadores da NASA estudaram o fenômeno por meio de voos de aeronaves especiais.
- Essas nuvens podem atingir altitudes até a estratosfera, entre 10-15 km.
- O fenômeno pode afetar o clima global ao espalhar fumaça por longos períodos.
Fontes
- NASA fonte oficial





