Estudo revela como uso de tênis pode alterar estrutura óssea dos tornozelos
Pesquisa aponta diferenças no osso esponjoso em indivíduos que usam calçados e os que caminham descalços
Um novo estudo da Universidade de Chicago indica que caminhar de tênis favorece mudanças na estrutura do osso trabecular do tornozelo, podendo refletir na evolução da marcha humana.
Um estudo recente da Universidade de Chicago, divulgado por uma revista especializada em anatomia, trouxe uma descoberta que pode impactar nossa compreensão sobre a relação entre calçados e a estrutura óssea dos pés humanos. Segundo a pesquisa, o uso de tênis e outros sapatos está ligado a pequenas alterações na composição do osso esponjoso do tornozelo, conhecido como osso trabecular. Essa estrutura, composta por pequenas hastes e lâminas, é fundamental para estudos sobre a evolução da nossa caminhada, pois tende a se remodelar ao longo da vida em resposta às forças aplicadas durante a movimento.
A investigação utilizou tomografias computadorizadas para mapear o osso do tornozelo de 70 indivíduos, sendo 56 de diferentes idades e origem, todos adultos. Desses, 43 utilizavam calçados na rotina diária, enquanto 13 eram moradores das Ilhas Andaman, além de dois africanos do sul do continente e um proveniente de um grupo de Aka, na África Central, que viviam sem o uso de sapatos. Segundo segundo a pesquisadora Zewdie Tsegai, esses indivíduos que não usavam calçados apresentaram maior quantidade de osso trabecular na parte frontal do tornozelo, o que sugere diferenças no desenvolvimento ósseo devido à prática de caminhar descalço.
O estudo, ainda não confirmado oficialmente por outras fontes, revelou que as forcas e o impacto ocasionados pelo caminhar descalço parecem estimular uma estrutura óssea mais robusta na região do tornozelo, enquanto o uso de sapatos contribui para uma remodelação diferente, potencialmente menos resistente. Essa descoberta é importante para entender como a tecnologia do calçado pode influenciar não só a nossa postura, mas também a evolução física ao longo das gerações. Ainda não há consenso científico completo, mas o que se sabe é que as mudanças na estrutura óssea refletem os hábitos de caminhada, reforçando a hipótese de que os humanos modernos têm uma relação estreita com os calçados na nossa trajetória evolutiva.
De acordo com os autores, a pesquisa oferece pistas valiosas sobre a adaptação do corpo humano às condições de vida atuais, além de abrir possibilidades para estudos futuros sobre a evolução do caminhar humano e os efeitos do uso contínuo de calçados na saúde dos pés e tornozelos. Ainda não se sabe ao certo se essas diferenças podem influenciar a incidência de problemas ortopédicos ou outros aspectos da saúde, e os pesquisadores alertam que mais investigações serão necessárias para entender totalmente esses processos.
O que sabemos?
- Uso de tênis pode causar alterações na estrutura do osso trabecular do tornozelo.
- Indivíduos que não usam calçados apresentam mais osso trabecular na região frontal do tornozelo.
- Estudo analisou tomografias de humanos modernos, incluindo pessoas que vivem descalças.
- Pesquisa explora relação entre hábitos de caminhada e evolução óssea dos pés.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





