Imagens inéditas revelam ecossistema marinho surpreendente perto de geleira na Groenlândia
Vídeo mostrando biodiversidade subaquática perto de uma geleira na Groenlândia chama atenção de cientistas e ambientalistas
Pesquisadores utilizaram veículos remotos para explorar águas ao redor da geleira Naajat Sermiat e descobriram um ecossistema diversificado, incluindo peixes, krill e organismos inusitados, em uma região pouco acessível.
Uma descoberta impressionante acaba de ser divulgada por pesquisadores que exploraram uma área inóspita na Groenlândia, revelando um ecossistema marinho diversificado no ambiente próximo à geleira Naajat Sermiat, na sua extremidade marinha. A equipe, formada por cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e do Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia, utilizou um veículo operado remotamente (ROV), equipado com câmeras, para captar imagens de uma região cujo acesso pessoal representa riscos consideráveis devido ao desprendimento de blocos de gelo e ao perigo potencial para mergulhadores.
As imagens, publicadas oficialmente na revista Communications Earth & Environment no fim de agosto, mostram uma grande variedade de espécies marinhas vivendo nas águas próximas à geleira. Entre os organismos encontrados estão krill, uma pequena larva de peixe que funciona como uma importante fonte de alimento na cadeia alimentar, além de peixes, vermes, crustáceos, anfípodes, copépodes, lulas, camarões, águas-vivas e até larvas de caranguejos. Foi ainda possível observar animais descansando na superfície do gelo, o que reforça a ideia de uma relação próxima entre esses seres e o ambiente de degelo.
Segundo a líder do estudo, a oceanógrafa Fleur Rooijakkers, o objetivo inicial era entender o que acontece com a água de degelo ao chegar ao oceano, principalmente se ela poderia congelar novamente devido às temperaturas negativas. Contudo, ao montar a expedição, a equipe ficou surpresa ao deparar com um ecossistema tão ativo na região, especialmente com peixes e krill que parecem se alimentar de materiais liberados pela própria geleira.
O comportamento do krill, que nadava ativamente em direção às plumas de sedimentos saindo do gelo, levou os pesquisadores a especular que esses sedimentos e nutrientes possam fornecer alimento para esses animais. Essa hipótese reforça uma teoria existente sobre o papel do degelo na fertilização das águas, facilitando o crescimento do fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha local. Ainda não há confirmação oficial sobre quanto desses nutrientes vêm diretamente do gelo, embora exista a possibilidade de algas que vivem nas massas de gelo contribuírem para esse ciclo, transportadas até o oceano junto com a água de degelo.
Essa descoberta reforça a importância de entender o impacto das mudanças climáticas na região ártica. Como a investigação revelou uma estrutura de gelo e sedimentos quase como cachoeiras de material desprendido, ela também aponta para possíveis mudanças no ecossistema por causa do degelo acelerado. A pesquisa ainda aguarda confirmações adicionais, especialmente sobre o papel exato desses sedimentos na cadeia alimentar, segundo a fonte única, a revista Galileu, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada por outras instituições.
O que sabemos?
- Pesquisadores usaram veículo remoto com câmera para explorar as águas ao redor da geleira na Groenlândia.
- Foram observadas dezenas de espécies marinhas, incluindo krill, peixes, lulas, águas-vivas e organismos sobre o gelo.
- O estudo tentou entender o que acontece com a água de degelo ao chegar ao oceano, mas descobriu um ecossistema ativo.
- O comportamento do krill sugere que sedimentos e nutrientes liberados pela geleira podem alimentar esses organismos.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada



