Ciência

Imagens inéditas revelam ecossistema marinho surpreendente perto de geleira na Groenlândia

Em apuração ?

Pesquisadores capturam imagens de comunidade biológica diversificada em ambiente de difícil acesso

Imagem mostra a face de uma geleira com sedimentos e espécies marinhas ao redor, capturada por veículo controlado remotamente.
Imagem: Revista Galileu

Registro feito por equipe internacional mostra espécies marinhas ao redor da geleira Naajat Sermiat, na Groenlândia, desafiando percepções tradicionais sobre ambientes polares.

Recentemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, em parceria com o Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia, conseguiu registrar com uma câmera de veículo controlado remotamente (ROV) um ecossistema aquático pouco explorado na Groenlândia. As imagens, feitas na extremidade marinha da geleira Naajat Sermiat, mostraram uma cena pouco convencional: uma diversidade de espécies marinhas reunidas ao redor de "cachoeiras" de sedimentos que escorrem da face da geleira em direção ao oceano, desafiando a ideia de que ambientes glaciais são inóspitos e praticamente sem vida.

De acordo com a pesquisadora responsável pelo estudo, Fleur Rooijakkers, o objetivo inicial era entender o que acontece com a água de degelo ao chegar ao oceano e se ela poderia congelar novamente devido às temperaturas extremamente baixas. No entanto, durante as primeiras incursões, a equipe percebeu além do esperado. "Na segunda entrada, as imagens revelaram uma comunidade marinha muito mais extensa do que imaginávamos, incluindo peixes, krill, vermes, crustáceos, lulas, águas-vivas e larvas de caranguejo, além de organismos observados na própria superfície do gelo", explicou Rooijakkers ao site ScienceAlert.

O fenômeno de maior destaque foi a movimentação do krill, que parecia nadar ativamente em direção às plumas de sedimentos que se desprendiam da geleira. Essa atitude sugere que o material liberado pela geleira, como nutrientes e algas, pode estar fornecendo alimento para esses animais, reforçando a hipótese de que o próprio ambiente de degelo contribui para a manutenção do ecossistema. Ainda não há confirmação se toda a força do alimento provém do interior do gelo, mas a presença de organismos diversos tão próximos ao gelo é considerada uma descoberta importante.

Segundo a equipe de pesquisa, essas observações acrescentam uma nova perspectiva sobre o impacto do degelo na cadeia alimentar marítima, especialmente na região ártica, onde as mudanças climáticas têm acelerado o derretimento das geleiras. Os resultados ainda não foram oficialmente publicados, mas a revista Communications Earth & Environment divulgou o estudo no último dia 28 de agosto, destacando que essas imagens inéditas ampliam o entendimento sobre os ecossistemas do gelo polar e seus possíveis papéis na dinâmica do ambiente marinho. Ainda há muitas perguntas sem resposta: até que ponto essas espécies dependem da liberação de sedimentos e nutrientes do próprio gelo? Qual o impacto a longo prazo dessas comunidades no equilíbrio do ecossistema local?

O que se sabe, por enquanto, é que essas descobertas demonstram o quanto o ambiente polar continua sendo um campo de exploração científica ainda pouco compreendido, especialmente em relação às mudanças aceleradas provocadas pelo clima. Os pesquisadores afirmam que os próximos passos envolvem aprofundar o entendimento do transporte de nutrientes pela água de degelo e sua influência na cadeia alimentar, além de monitorar se esses ecossistemas estão se expandindo ou se adaptando às transformações ambientais na região.

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O que sabemos?

  • Imagens inéditas na Groenlândia mostram um ecossistema marinho diversificado perto de uma geleira.
  • Equipes usaram veículo controlado remotamente para evitar riscos de entrar na água perto do gelo.
  • População de espécies inclui krill, peixes, lulas, águas-vivas e larvas de caranguejo.
  • Observação de krill nadando em direção a plumas de sedimentos sugere potencial aporte de nutrientes.
  • Estudo foi publicado na revista Communications Earth & Environment, em 28 de agosto de 2026.

Fontes

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