Ciência

Astrónomos descobrem possível planeta de segunda geração ao redor de estrela morta

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Estudo revela elemento químico raro que indica formação planetária após o fim da vida da estrela

Representação artística de uma anã branca com planeta orbitando ao redor
Imagem: NASA

Pesquisa inédita localiza sinais de um novo tipo de planeta ao redor de uma anã branca, usando dados do telescópio Hubble e de outras missões da NASA.

Uma equipe de astrônomos revelou, nesta semana, uma descoberta que pode mudar a nossa compreensão sobre a formação de planetas em sistemas estelares já considerados evoluídos. Segundo uma publicação na revista Nature Astronomy, análise de dados do telescópio Hubble identificou uma assinatura química inesperada na estrela HS 0209+0832, uma anã branca, sugerindo que ela pode estar orbitando um planeta de segunda geração, formado a partir de materiais expelidos durante sua fase de morte.

O fato chamou atenção pelo sinal de um elemento químico chamado níobio, um elemento pesado que, até então, não havia sido observado em estrelas brancas desse tipo. De acordo com a equipe liderada por Jamie Williams, atualmente doutoranda na Universidade de Warwick, no Reino Unido, essa descoberta reforça a hipótese de que a evolução de sistemas estelares não necessariamente termina com a morte da estrela, podendo dar origem a novas formações de corpos celestes.

Segundo fontes da equipe, a observação inicial, feita em 1999, mostrou cerca de 100 recursos químicos ainda não identificados na época. Revisões posteriores, com dados atualizados de bancos de informações químicas, permitiram aos astrônomos relacionar esses sinais com o níobio, um elemento que, na Terra, tem aplicações na fabricação de joias e em exames médicos.

Especialistas explicam que, na astronomia, a presença de níobio é particularmente relevante porque esse elemento não é produzido nas fases de fusão nuclear que ocorrem dentro de estrelas. Em vez disso, ele se forma em ambientes extremos e breves, como os instantes finais da vida de uma estrela. Assim, sua detecção na anã branca indica que ela pode estar consolidando um planeta a partir de resíduos ejetados do próprio remanescente estelar, ao contrário do que acontece na formação de planetas na juventude do sistema, que usam matéria do nascimento da estrela.

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Além da evidência química, a equipe confirmou as observações com dados do satélite FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer), aposentado pela NASA, que também revelou sinais fortes de níobio na estrela. Como complemento, o satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) monitorou a anã branca por quatro meses, detectando variações periódicas em sua brilho, o que sugere a presença de um planeta orbitando a uma distância de aproximadamente 6 milhões de quilômetros, uma órbita mais próxima do que a de Mercúrio em torno do Sol.

De acordo com os astrônomos envolvidos na pesquisa, essa descoberta aponta que as estrelas podem gerar novos corpos celestes após o fim de sua fase vital, dando início a uma espécie de 'segunda geração' de planetas. Ainda não há confirmação oficial de que o planeta exista, mas os sinais indicam a possibilidade de uma formação planetária diferente da convencional, dando esperança de novas descobertas no universo das estrelas mortas.

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O que sabemos?

  • A estrela HS 0209+0832 é uma anã branca, remanescente de uma estrela que esgotou seu combustível.
  • Detectaram uma assinatura de níobio, elemento químico pesado, na região da estrela.
  • A presença de níobio sugere formação de planeta a partir de materiais expelidos pela estrela moribunda.
  • A descoberta veio de análise de dados do Hubble, FUSE e TESS.
  • Existe a possibilidade de um planeta orbitando a cerca de 6 milhões de km da estrela.

Fontes

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