Descoberta de cadeira de madeira de 3.400 anos na Dinamarca desperta interesse arqueológico
Móvel antigo de pedra lança luz sobre práticas sociais e rituais na Idade do Bronze na Europa
Uma cadeira de madeira preservada foi encontrada em um túmulo na Dinamarca, levantando questões sobre sua função e significado na época. A peça, datada de aproximadamente 3.400 anos, revela detalhes sobre a cultura e a hierarquia social daquele período.
Uma descoberta arqueológica na Dinamarca certamente chamou a atenção dos especialistas e do público interessado em história antiga. Trata-se de uma cadeira dobrável de madeira, de cerca de 3.400 anos de idade, encontrada no sul da Jutlândia, dentro de um túmulo de um chefe tribal na localidade de Guldhøj, uma colina conhecida por suas escavações desde o século XIX. Segundo informações do Museu Nacional da Dinamarca, essa peça é a única cadeira desse tipo, inteiramente preservada, registrada na Europa daquele período, o que surpreende os pesquisadores pela sua integridade e detalhes.
De acordo com o que foi divulgado, o objeto foi localizado em 1891, durante uma escavação conduzida por arqueólogos do próprio museu. A cadeira ficava ao lado do sepultamento de um homem que foi enterrado com um traje elaborado, incluindo uma capa de lã presa por um broche de bronze, além de dois chapéus, luvas de lã e sapatos de couro, indicando uma condição social elevada. Entre os objetos encontrados na sepultura, estavam também um machado e uma adaga de bronze, tigelas de madeira ornamentadas e uma caixa de madeira — elementos que reforçam a ideia de uma posição social distinta para o ocupante da tumba.
Segundo o Museu Nacional, a estrutura da cadeira foi produzida com madeira de freixo, utilizando pregos de bronze, embora esses detalhes possam ter sido retirados antes de o sepultamento ser fechado. O assento era feito de pele de lontra, embora apenas um fragmento sobreviva após milhares de anos. A peça apresentava padrões entalhados na parte superior e uma faixa de desenhos geométricos, feitos com uma substância escura semelhante a alcatrão, acrescentando elementos decorativos à estrutura. Quando posicionadas em um ângulo de 45 graus, as partes da estrutura formavam um assento de aproximadamente 24 centímetros de altura do chão, formando um banco baixo, que pode ter servido tanto para uso cotidiano quanto em rituais.
Especialistas acreditam que móveis desse tipo não eram meramente funcionais. Segundo a equipe do Museu, cadeiras dobráveis possuíam um papel simbólico e social, possivelmente indicando a elevada condição daquele que se sentava nelas. A associação dos achados com túmulos de líderes ou guerreiros no início da Idade do Bronze reforça essa hipótese. Além disso, a existência de modelos semelhantes no Egito e na Grécia, embora melhor preservados devido às condições climáticas mais favoráveis dessas regiões, mostra que esse tipo de mobiliário tinha uma importância cultural e social significativa naquele período.
A peça de Guldhøj mantém uma característica singular: ela é considerada o único exemplo de uma cadeira de madeira completamente preservada da Europa da Idade do Bronze, algo pouco comum em registros arqueológicos. Ainda não há confirmação de outras descobertas similares na Dinamarca ou no norte da Alemanha, onde também foram encontrados fragmentos de móveis antigos em sepulturas de chefes. Uma cadeira semelhante, feita de metal, foi encontrada na Alemanha, datada do início da Idade Média, mas essa é considerada uma exceção devido ao material e à conservação.
Segundo os autores do estudo, embora ainda não haja confirmação sobre o uso exato da cadeira ou seu significado ritual, a peça evidencia a sofisticação dos objetos de ocasião mortuária naquela época. Ainda aguardando aprofundamento de análises complementares, a euforia entre arqueólogos é justificada pelo potencial de novas descobertas que podem ajudar a compreender melhor a sociedade e suas hierarquias há mais de três mil anos na Europa. Como a própria fonte ressalta, essa descoberta reforça a ligação entre objetos de mobília e rituais de sepultamento, além de oferecer uma rara janela para a tecnologia e os costumes dos antigos habitantes da região.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





