Plataformas online impulsionam o comércio ilegal de animais e ameaçam biodiversidade global
Pesquisa publicada em Nature Reviews Biodiversity revela que redes sociais e sites de comércio eletrônico facilitam o tráfico de espécies ameaçadas
Um estudo recente aponta que o comércio ilegal de animais está crescendo em plataformas digitais como Facebook e Instagram, afetando diretamente a conservação de espécies já em risco de extinção, principalmente devido à facilidade de acesso e baixa fiscalização online.
O comércio ilegal de animais silvestres está encontrando um terreno fértil para crescer nas plataformas digitais mais populares do mundo. Segundo um estudo divulgado na revista Nature Reviews Biodiversity, redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok, além de sites de comércio eletrônico como eBay, Alibaba, Shopee e Tokopedia, são ambientes onde milhares de espécies são comercializadas de maneira ilegal, o que acarreta um grave impacto para a biodiversidade global.
De acordo com o cientista da conservação Enrico Di Minin, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, a atuação desse comércio ilegal no ambiente online apresenta características preocupantes, como anonimato dos vendedores, falhas na aplicação das normas e a facilidade de conexão entre compradores e vendedores em praticamente qualquer lugar do planeta. "O comércio ilegal de animais online se espalha por muitas plataformas populares e representa uma ameaça crescente e em evolução para a conservação da biodiversidade", afirmou Di Minin.
A pesquisa aponta que a lista das espécies comercializadas vai além dos animais tradicionalmente visados por colecionadores ou para consumo. Muitas delas já estavam em alto risco de extinção ou sequer tinham sua vulnerabilidade associada à exploração ilegal até o momento, o que amplia o alerta para sua conservação urgente. Além disso, os animais são vendidos vivos, em grande parte como animais de estimação, ou mortos, com seus corpos e partes utilizados em diferentes mercados ilegais.
O estudo também aponta que a atual crise de extinção em massa do planeta tem forte influência humana e que a destruição dos habitats, aliada à inserção de espécies invasoras, continua a agravar essa situação. A nova ameaça representada pelo comércio ilegal online, que não estava previamente dimensionada, agrava ainda mais o quadro global da perda de biodiversidade, principalmente pela rasteira que o tráfico dá aos mecanismos tradicionais de fiscalização ambiental.
Até o momento, a divulgação dessas informações partiu exclusivamente da revista ScienceAlert e do estudo acadêmico em Nature Reviews Biodiversity. Não há ainda pronunciamentos oficiais de empresas responsáveis pelas plataformas citadas, tampouco de órgãos ambientais, sobre as medidas para enfrentar esse problema emergente. A atenção renovada para essa questão, no entanto, destaca o papel crescente da internet como facilitadora de práticas ilegais e o desafio das políticas públicas e tecnologia para conter essa ameaça.
O que sabemos?
- Comércio ilegal de animais silvestres cresce em plataformas online populares.
- Além do tráfico tradicional, o mercado ilegal online oferece anonimato e baixa fiscalização.
- Espécies em risco de extinção estão sendo comercializadas, incluindo aquelas não antes consideradas vulneráveis.
- A pesquisa foi publicada em Nature Reviews Biodiversity e divulgada por ScienceAlert; outras fontes ainda não confirmaram.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada
- ScienceAlert fonte especializada





