De plástico a biscoito: cientistas criam alimento a partir de resíduos reciclados
Pesquisa usa leveduras para transformar plástico PET e resíduos agrícolas em proteínas e aromatizantes comestíveis
Equipe da Universidade do Sul de Illinois desenvolve método inovador que converte plástico e biomassa em ingredientes para biscoitos, com potencial uso em zonas de desastre e missões espaciais.
Uma nova fronteira na alimentação sustentável foi anunciada durante a reunião da Sociedade Americana de Química (ACS), realizada entre 23 e 27 de agosto de 2026, em Chicago (EUA). Pesquisadores da Universidade do Sul de Illinois apresentaram um método pioneiro que transforma resíduos plásticos e agrícolas em proteínas comestíveis e moléculas aromatizantes, capazes de compor biscoitos produzidos a partir do lixo. Esse avanço é resultado de uma pesquisa financiada pelo programa Deep Space Food Challenge, da NASA, que busca soluções alimentares para ambientes críticos como zonas de desastre e até mesmo missões espaciais.
Segundo o professor associado Lahiru Jayakody, envolvido no estudo, a chave do processo está no uso de microrganismos programados para converter moléculas complexas presentes no plástico PET e em resíduos vegetais. “Os micróbios são muito inteligentes. Então, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos", explicou Jayakody em comunicado.
O plástico PET, conhecido por seu uso em garrafas de água e refrigerante, possui um alto teor de carbono em suas moléculas. Em vez de aplicar reações químicas convencionais e solventes, a equipe adotou um processo patenteado chamado dissolução hidrotérmica oxidativa para liberar esses componentes, os quais são posteriormente metabolizados por leveduras geneticamente modificadas. Entre elas, destaca-se a levedura tradicional da panificação, capaz de transformar os elementos em proteínas, vitaminas e compostos aromáticos essenciais para dar sabor ao alimento final.
Participando da pesquisa, a estudante de pós-graduação Sandhya Jayasekara colaborou no desenvolvimento e programação dessas diversas leveduras, ampliando as possibilidades de conversão eficiente dos resíduos em ingredientes nutritivos. Além do plástico, talos e folhas descartados de milho e outras biomassas agrícolas foram incorporados ao processo, reforçando o potencial de reciclagem de vários tipos de resíduos.
Esse método abre caminhos inovadores para o reaproveitamento de materiais que geralmente poluem o meio ambiente, ao mesmo tempo em que cria uma alternativa alimentar em situações onde o acesso a recursos convencionais é limitado. O biscoito produzido com essas proteínas do lixo representa uma solução tanto para o problema do descarte do plástico quanto para as necessidades emergenciais de alimentação em diversas condições extremas, conforme ressaltado pelos pesquisadores.
O que sabemos?
- Pesquisadores da Universidade do Sul de Illinois criaram biscoitos com proteínas produzidas a partir de plástico PET e resíduos agrícolas.
- O processo usa um método chamado dissolução hidrotérmica oxidativa para liberar moléculas do plástico e da biomassa.
- Leveduras geneticamente programadas convertem essas moléculas em proteínas, vitaminas e aromatizantes.
- O projeto é financiado pelo programa Deep Space Food Challenge da NASA e apresentado na reunião da ACS em Chicago.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Revista Galileu; aguardando confirmação por outras fontes.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
