Ciência

Estudo da USP revela como Brasil enfrentou desigualdades na distribuição global de vacinas contra covid-19

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Pesquisa analisa diplomacia científica e desafios na autonomia do País durante a pandemia

Vacinação contra a covid-19 no Brasil durante pandemia
Imagem: Jornal da USP

Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP destaca o papel do Brasil na cooperação internacional para acesso a vacinas da covid-19, apontando avanços e obstáculos na produção e desenvolvimento nacional.

A pandemia de covid-19 escancarou as desigualdades profundas existentes na distribuição de vacinas entre os países do Norte e do Sul Global, evidenciando a importância estratégica do acesso a tecnologias de saúde para o controle sanitário mundial. Segundo um estudo recentemente divulgado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil teve um papel destacado na diplomacia da ciência das vacinas durante o surto da doença, ampliando sua participação em negociações internacionais e fortalecendo sua estrutura produtiva e institucional para pesquisa e desenvolvimento.

A autora principal do artigo, Ariane de Jesus Lopes de Abreu, explica que a pesquisa combinou a revisão da literatura existente, análise de documentos legislativos e políticas públicas, além do exame de dados secundários sobre financiamento em pesquisa e ensaios clínicos. Essa metodologia interdisciplinar permitiu mapear como o País, enquanto nação de média renda, respondeu às desigualdades mundiais, buscando ampliar seu poder de negociação e capacidade produtiva em um cenário global desfavorável.

O estudo define a diplomacia da ciência das vacinas como o campo específico da diplomacia científica que mobiliza a cooperação em pesquisa, desenvolvimento, produção e transferência de tecnologia relacionada a vacinas, atuando como instrumento de política externa, segurança sanitária e solidariedade internacional. No contexto brasileiro, a pesquisa identificou um reforço nas políticas públicas que cruzam as áreas de saúde, inovação e desenvolvimento produtivo, resultado que coloca o Brasil como um ator mais ativo na arena internacional.

Entretanto, apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios consideráveis para atingir autonomia científica plena na área. A pesquisa aponta que a necessidade de fortalecer capacidades nacionais em produção e inovação continua a ser um entrave para a independência brasileira, especialmente frente às pressões e assimetrias existentes no mercado global de vacinas. Segundo Ariane, "o diferencial da minha tese foi aprofundar temas das questões globais junto com as perspectivas de um país de média renda".

Até o momento, essas informações foram divulgadas somente pelo Jornal da USP e ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes. O estudo traz à tona debates relevantes sobre justiça no acesso a tecnologias em saúde e a importância da diplomacia científica para a construção de um ambiente internacional mais equitativo no enfrentamento a pandemias.

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O que sabemos?

  • A pandemia de covid-19 evidenciou desigualdades globais na distribuição de vacinas entre Norte e Sul Global.
  • Estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP analisou como países do Sul Global, especialmente o Brasil, responderam às desigualdades em pesquisa, desenvolvimento, produção e acesso a vacinas.
  • O Brasil ampliou sua inserção na diplomacia da ciência das vacinas e fortaleceu políticas públicas ligadas à saúde, inovação e desenvolvimento produtivo.
  • Ainda existem desafios para o Brasil alcançar autonomia científica plena, segundo a pesquisa, divulgada até agora somente pelo Jornal da USP.

Fontes

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