Ciência

Descoberta global revela quase 55 mil vírus de RNA desconhecidos em ambientes urbanos

Em apuração ?

Atlas reúne dados de 102 cidades em 31 países e revela diversidade viral surpreendente em espaços públicos

Mapa mundial destacando as cidades onde foram coletadas amostras para o estudo viral
Imagem: Revista Galileu

Estudo internacional, com participação brasileira, catalogou 54.945 espécies virais em locais como estações de transporte e hospitais, mostrando que 77% delas nunca haviam sido descritas pela ciência.

Uma pesquisa inédita realizada em escala mundial revelou a existência de dezenas de milhares de vírus até então desconhecidos pela ciência circulando em ambientes urbanos de grande fluxo humano. O levantamento analisou quase 3 mil amostras coletadas em 102 cidades de 31 países, incluindo São Paulo, e resultou na consolidação do UPVAtlas, um atlas que catalogou 54.945 espécies virais de RNA, sendo que aproximadamente 77% nunca foram descritas anteriormente, segundo informações divulgadas pela Revista Galileu.

O estudo, publicado em julho de 2026 na revista Nature Communications, foi conduzido por uma equipe internacional da qual participaram pesquisadores brasileiros, como Antônio Pedro Camargo, professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP). Camargo destaca que, até então, o conhecimento sobre vírus de RNA estava focado principalmente naqueles causadores de doenças, como dengue, zika, gripe, febre amarela e COVID-19. Ele salienta que “quando você procura um vírus a partir de uma doença, já existe um viés, porque todos os vírus que não causam doenças acabam sendo ignorados”.

Os vírus de RNA são aqueles que armazenam suas informações genéticas em moléculas de RNA, ao contrário dos vírus de DNA. A descoberta desses milhares de vírus novos, portanto, amplia substancialmente a compreensão sobre a diversidade viral existente na natureza, especialmente em áreas urbanas e periurbanas que apresentam grande circulação de pessoas, como estações de transporte, hospitais e redes de esgoto.

O que torna este estudo especialmente relevante é a metodologia que permitiu uma análise sem o viés habitual da busca por vírus patogênicos, possibilitando uma visão mais ampla e real da diversidade viral presente no cotidiano das cidades. Para Camargo, essa riqueza viral invisível revela uma complexidade biológica que nunca havia sido mapeada de forma tão abrangente.

Além de São Paulo, a coleta das 2.922 amostras envolveu diversas cidades ao redor do mundo, o que reforça a universalidade da presença desses vírus e destaca a importância de monitoramento constante para possíveis impactos futuros na saúde pública. O UPVAtlas emerge assim como uma ferramenta crucial para pesquisadores, podendo auxiliar no entendimento da ecologia viral nas cidades e no desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle.

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O que sabemos?

  • O estudo analisou 2.922 amostras de 102 cidades em 31 países, incluindo São Paulo.
  • Foram catalogadas 54.945 espécies virais de RNA, das quais cerca de 77% eram desconhecidas.
  • Os vírus de RNA incluem patógenos conhecidos como dengue, zika, gripe, febre amarela e COVID-19.
  • O estudo foi publicado em julho de 2026 na revista Nature Communications e contou com participação brasileira.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Revista Galileu; aguardando outras fontes.

Fontes

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