Romi-Isetta celebra 70 anos: um marco na história da indústria automobilística brasileira
Modelo pioneiro de produção em série no Brasil, apesar do curto tempo de fabricação, deixa um legado importante para o setor.
O Romi-Isetta, carro de uma porta só lançado em 1956 em Santa Bárbara d'Oeste, completou 70 anos. Apesar de sua produção limitada, foi o primeiro carro de série no Brasil, destacando-se pelo peso predominantemente nacional e pela inovação.
Completando sete décadas neste mês, o Romi-Isetta mantém sua relevância na história da indústria automobilística brasileira. Produzido em Santa Bárbara d'Oeste pela fábrica de mesmo nome, o compacto teve uma trajetória curta, com cerca de 3 mil unidades fabricadas até 1961, mas sua importância ultrapassa números. Segundo fontes da Fundação Romi, a fabricação do modelo marcou o início da produção de veículos em série no país, antecipando um desenvolvimento que viria a se consolidar posteriormente.
A origem do Romi-Isetta remonta a uma iniciativa do empresário paulista Américo Emílio Romi, que, influenciado pelo modelo italiano Isetta, conseguiu autorização para fabricar o veículo no Brasil. A produção começou em 1956, pouco tempo após o lançamento do modelo na Itália, e, de acordo com informações da fonte, mais de 70% das peças usadas no carro eram nacionais. Essa cadeia de produção nacional foi considerada um marco, especialmente em uma época em que o Brasil ainda era predominantemente agrícola e dependia de importações para carros e componentes.
Segundo Antonio Carlos Angolini, idealizador do arquivo da Fundação Romi, o projeto teve recepção inicial promissora, apesar de o carro não ter obtido grande sucesso comercial. Em comparação, o título oficial de primeiro carro nacional foi concedido ao DKW-Vemag, lançado dois meses depois, uma decisão que, segundo especialistas, teria sido influenciada por critérios políticos estabelecidos pelo governo na época, que definiram o conceito de carro como tendo duas portas e quatro lugares. O Romi-Isetta tinha uma porta única dianteira e capacidade para três ocupantes, o que, atualmente, seria considerado fora desse padrão.
Hoje, o setor automotivo brasileiro enfrenta uma fase de perdas na capacidade de desenvolvimento nacional, enquanto o mercado é gradualmente dominado pelas tecnologias chinesas, que chegam ao país com força e inovação. A história do Romi-Isetta, portanto, oferece um retrato de um momento crucial de transição na indústria, que, apesar do fracasso de ser um produto de sucesso comercial, deixou um legado de inovação e pioneirismo. Além de simbolizar o início da produção de veículos no Brasil, o modelo também despertou interesse de colecionadores e pesquisadores, que continuam a valorizar sua importância histórica.
Até hoje, Santa Bárbara d'Oeste reverbera com essa história, que mostra o avanço da indústria local antes de se tornar parte de um mercado globalizado. Ainda não há confirmação oficial de novos projetos ligados a esse passado, mas a trajetória do Romi-Isetta permanece como uma fonte de orgulho para o setor e uma lembrança da capacidade brasileira de inovar, mesmo em tempos de dificuldades econômicas e políticas.
O que sabemos?
- O Romi-Isetta completou 70 anos em 2023.
- Foi produzido em Santa Bárbara d'Oeste por cerca de cinco anos, até 1961.
- Mais de 70% das peças eram nacionais.
- A produção total foi de aproximadamente 3 mil unidades.
- A decisão de conceder o título de primeiro carro nacional ao DKW-Vemag foi influenciada por critérios políticos.
Fontes
- G1 imprensa





