Carros

Por que segurar carros elétricos é mais caro que veículos a combustão no Brasil?

Em apuração ?

Fatores de risco e furtos elevam o valor das apólices, apontam especialistas

Carro elétrico com símbolo de segurança e risco em destaque
Imagem: Autoesporte

Apesar de uma recente redução no preço médio, o seguro de carros elétricos e híbridos ainda lidera custos no mercado brasileiro. Especialistas explicam os motivos por trás dessa tendência, que envolve riscos, dificuldades de reparo e criminalidade.

Os carros elétricos e híbridos mais vendidos no Brasil continuam, em média, apresentando uma tarifa de seguro superior à de veículos com motor a combustão, mesmo após uma redução significativa registrada em agosto deste ano. Segundo fontes do setor, essa diferença se deve a uma combinação de fatores que elevam o custo das apólices, incluindo o maior risco de acidentes, dificuldades na reposição de peças e, principalmente, a crescente onda de furtos e roubos desses veículos.

De acordo com o gerente da Creditas Auto, Marcelo Baseoti, o prêmio de risco atribuído às seguradoras para esses carros é maior devido ao valor elevado das baterias, sistemas elétricos e componentes específicos. Ele explica que “essas peças têm valor de mercado superior e cadeia de suprimentos menos pulverizada, o que aumenta o custo de reparo em caso de acidente ou sinistro”. Além disso, o valor de mercado dos modelos eletrificados costuma ser mais alto na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o que impacta diretamente no cálculo do valor a ser segurado. Ainda segundo Baseoti, "a precificação reflete também o risco de roubo, que está crescendo de forma significativa".

Outro ponto que aumenta o preço do seguro de veículos eletrônicos é a atuação de quadrilhas especializadas na retirada clandestina desses veículos e na venda ilegal de suas peças, principalmente as baterias, que são altamente valorizadas no mercado negro. Ainda segundo fontes do setor, há relatos de investigação policial que já descobriram galpões utilizados por grupos criminosos para desmontar esses veículos e armazenar suas partes, contribuindo para o aumento do risco para as seguradoras.

Entre os modelos com os seguros mais altos, destaca-se o BYD Song Plus, cujo valor do prêmio para homens chega a R$ 3.600, enquanto para mulheres o valor é de R$ 3.563. Na mesma linha, o Jeep Commander Limited flex tem preços de R$ 3.177, independentemente do gênero do proprietário. Outros modelos como o GWM Haval H6 também aparecem na lista, com seguros de aproximadamente R$ 3.200. Já veículos populares a combustão, como o Toyota Corolla Cross XRX, têm valores menores, na faixa de R$ 2.800. Os dados ainda não são oficiais, mas a credibilidade dessa análise vem de uma pesquisa da Creditas Auto, que considera os menores preços encontrados em 15 seguradoras.

Interessantemente, o levantamento também aponta uma melhora nos valores de seguro de agosto. Para o perfil masculino, o valor médio caiu de R$ 2.903 para R$ 2.212, uma redução de quase 24% em comparação ao mês anterior. Para o público feminino, a retração foi de 21,4%, saindo de R$ 2.696 para R$ 2.118. Esses números refletem uma tendência de queda nos custos, mas dentro de um cenário onde veículos eletrificados ainda carregam um risco maior para seguradoras.

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O que sabemos?

  • O seguro de carros elétricos e híbridos no Brasil é mais caro do que de veículos a combustão.
  • Fatores que elevam o preço incluem maior risco de acidentes, dificuldades na reposição de peças e o aumento de furtos.
  • Baterias e componentes elétricos têm maior valor de mercado e complexidade de reparo.
  • Crescimento de atividades criminosas envolvendo desmanche e venda ilegal de peças, especialmente baterias.
  • Dados de agosto indicam uma redução significativa no valor médio do seguro para ambos os perfis de idade e gênero.

Fontes

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