Lubrificante adulterado: um risco silencioso para o seu carro
Maior parte dos lubrificantes no mercado apresenta alguma irregularidade, aponta estudo da ANP
Pesquisa revela que 14,4% das amostras de lubrificantes automotivos analisadas estavam fora dos padrões, podendo causar danos ao motor ao longo do tempo.
Um estudo recente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizado entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 em 16 estados, revelou que uma parcela significativa de lubrificantes vendidos no mercado automotivo apresenta irregularidades que podem comprometer a saúde do motor dos veículos. Segundo fontes do Instituto Combustível Legal (ICL), mais de 14% das 341 amostras coletadas tiveram pelo menos um parâmetro fora do padrão estabelecido, o que indica que há lubrificantes contaminados ou adulterados nas prateleiras de lojas e postos de gasolina.
De acordo com Carlo Faccio, diretor executivo do ICL, o risco de usar um lubrificante assim é sério e invisível à maior parte dos motoristas. Ele alerta que produtos adulterados podem estar com menor quantidade de aditivos essenciais, como dispersantes, detergentes e antioxidantes, que são responsáveis por proteger e prolongar a vida do motor. Carros que utilizam esse tipo de lubrificante podem sofrer desgaste precoce, deterioração de vedações, aumento no consumo de combustível, redução de potência e até encurtamento da vida útil do motor, embora esses efeitos nem sempre se manifestem imediatamente.
Ainda segundo o especialista, uma das principais problemáticas do lubrificante adulterado é a variação na viscosidade, que influencia a formação da película protetora entre as peças internas do motor e a circulação do óleo. Produtos sem a especificação correta podem causar maior atrito, aquecimento e acúmulo de resíduos, acelerando o desgaste das peças. Além disso, a ausência de aditivos eleva o risco de formação de borra e outros depósitos que minam a eficiência do motor ao longo do tempo.
Roberta Teixeira, diretora da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), acrescenta que, diferentemente do combustível irregular, cujos efeitos geralmente aparecem logo após o abastecimento, os danos causados pelo uso de lubrificante adulterado tendem a se desenvolver de forma mais silenciosa e progressiva. Por isso, ela recomenda que os motoristas fiquem atentos a sinais como ruídos estranhos, aumento de consumo e perda de potência, ainda que, muitas vezes, esses sintomas só sejam percebidos após meses de uso de produtos não conformes.
Especialistas destacam que as ações criminosas para adulterar lubrificantes envolvem a eliminação de componentes essenciais ou o envase de produtos usados, reembalados e vendidos como novos, práticas que representam um risco grave para veículos de todas as idades. Ainda não há confirmação oficial de marcas específicas ou de fornecedores, uma vez que o mercado ilegal costuma ser bastante clandestino, e o próprio estudo da ANP reforça a necessidade de mais fiscalizações e conscientização entre motoristas e comerciantes.
O que sabemos?
- Mais de 14% das amostras de lubrificantes analisadas estavam fora do padrão.
- O estudo foi conduzido entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, em 16 estados.
- Lubrificantes adulterados podem conter menos aditivos, incluindo dispersantes, detergentes e antioxidantes.
- Problemas causados por lubrificantes adulterados podem ser silenciosos e de efeito a longo prazo.
Fontes
- Autoesporte fonte especializada





