Túnel inacabado sob a avenida Paulista vira palco de exposição e livro
Estrutura subterrânea da década de 1970, abandonada, é tema de projeto da artista Sonia Guggisberg
Uma galeria subterrânea inacabada na avenida Paulista, símbolo do passado das obras de modernização de São Paulo, virou objeto de investigação artística e cultural pela artista Sonia Guggisberg, que registra as ruínas de um projeto da ditadura militar em livro e exposição.
Sob a movimentada avenida Paulista, cartão-postal de São Paulo, existe um labirinto de túneis e galerias abandonadas, resultado de uma ambiciosa obra iniciada na década de 1970. Essa infraestrutura inacabada foi idealizada como parte do projeto chamado Nova Paulista, cuja intenção era a criação de uma via expressa subterrânea para desafogar o trânsito da superfície e modernizar a metrópole. No entanto, devido a desavenças políticas durante a ditadura militar, as obras foram interrompidas, deixando para trás uma carcaça de concreto e ferro retorcido que hoje serve como um relicário urbano e cenário que lembra um campo de guerra.
A artista Sonia Guggisberg tem investigado esse espaço subterrâneo há anos, documentando a deterioração da estrutura e seus segredos em um gesto que ela própria chama de arqueologia da metrópole. Seu trabalho se materializa em um livro e em uma exposição que revelam o lado oculto da avenida Paulista. “O lugar lembra um cenário de guerra. É um labirinto de destruição em que túneis, escadarias e emaranhados de ferro retorcido juntam pó na escuridão, esquecidos debaixo dos nossos pés”, descreve a artista.
O que hoje se vê, portanto, é o contraste entre a pujança da Paulista visível na superfície e o abandono subterrâneo que reflete as cicatrizes deixadas pela força da especulação imobiliária e a ação do tempo.
Segundo relato da própria artista, o projeto da Nova Paulista foi marcado por um esforço governamental para modernizar São Paulo, mas não levou em conta os impactos sociais e urbanísticos de tal intervenção. Hoje, esse túnel — que pretendia acelerar o trânsito no subsolo e libertar a superfície para os pedestres e um ritmo urbano mais fluido, como acontece atualmente nos domingos, quando a via é fechada para carros — virou um mausoléu das memórias urbanas.
A iniciativa de Guggisberg atrai atenção para a necessidade de pensar o patrimônio da cidade para além do óbvio, olhando para trás, para as estruturas esquecidas, como uma forma de compreender melhor os trajetos econômicos, políticos e culturais que moldaram São Paulo. Essa redescoberta serve também como um alerta a respeito das consequências da pressão imobiliária por cima de algo que, no passado, foi muito mais ambicioso do que se venceu a realizar.
O que sabemos?
- Existe um labirinto de túneis e galerias abandonadas sob a avenida Paulista, resultado de uma obra iniciada na década de 1970.
- O projeto era chamado Nova Paulista e previa a construção de uma via expressa subterrânea para desafogar o trânsito da superfície.
- As obras foram interrompidas devido a desavenças políticas durante a ditadura militar.
- A estrutura subterrânea está abandonada e apresenta deterioração, com túneis e ferro retorcido esquecidos sob a avenida.
- A artista Sonia Guggisberg investiga esse espaço há anos, produzindo um livro e uma exposição que documentam o lugar e seus detalhes.
- O projeto visava acelerar o trânsito no subsolo e liberar a superfície para pedestres, ideia que hoje se vê aos domingos com a via fechada para carros.
- O projeto da Nova Paulista não considerou os impactos sociais e urbanísticos, segundo a artista.
- O estado atual desse túnel pode ser entendido como um relicário ou mausoléu de memórias urbanas.
- A pesquisa de Guggisberg convida a pensar o patrimônio da cidade incluindo essas estruturas abandonadas para entender melhor São Paulo.
Fontes
- UOL Notícias imprensa


/s2-g1.glbimg.com/a9E7xo-NT1aa_bOfRgJ9Z0Yg5YE%3D/1250x0/filters%3Aformat%28jpeg%29/https%3A//i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/l/k/Ww2SjbTdOy3pcteLJa2Q/logo-nsc.jpg)


