Retorno às aulas em La Guaira ocorre com medo e recorde de danos estruturais
Escolas afetadas pelos terremotos na Venezuela reiniciam atividades de forma cautelosa
Ameaçados por mais de 2.000 réplicas e escolas danificadas, estudantes venezuelanos começaram a retornar às aulas em La Guaira, região marcada por tragédia sísmica.
As escolas de La Guaira, na Venezuela, começaram a retomar suas atividades após os terremotos que devastaram a região em junho, deixando mais de 6.500 mortos no país, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente. Apesar da preocupação, essa reabertura ocorre com o temor constante de novas réplicas, que já somam mais de 2.000 registros, segundo relatos de professores e autoridades locais.
Dezenas de instituições foram seriamente afetadas pelos tremores. Ainda conforme informações de fontes locais, aproximadamente 80 escolas sofreram danos estruturais, enquanto outras 900 tiveram algum prejuízo. Algumas dessas escolas, devido à situação, tiveram que se transformar em abrigos emergenciais para os desabrigados. Uma dessas unidades é a Unidade Educacional Diocesana João Paulo 2º, com capacidade para 800 estudantes, mas atualmente com cerca de 300 alunos matriculados, conforme declaração do diretor Marco Antonio Espinoza.
Segundo ele, a retomada das aulas será progressiva e priorizará a segurança e o bem-estar emocional dos estudantes e do corpo docente. Espinoza explicou que, apesar do medo e das réplicas frequentes, as pessoas continuam dispostas a seguir suas rotinas, reforçando a necessidade de ensinar às crianças como lidar com o trauma. Para a professora Yanet Domínguez, que atua na escola, o medo é natural neste momento: "Os pais me perguntaram se a estrutura permaneceu sólida. Eu disse que sim, que inclusive foram feitas melhorias e que não tenham medo de mandar seus filhos".
Em todo o país, o impacto dos terremotos é visível, com escolas fechadas ou parcialmente destruídas, o que convence as autoridades a adotarem medidas de segurança e apoio psicológico. Ainda não há confirmação sobre o número exato de escolas danificadas ou afetadas oficialmente, mas a situação de vulnerabilidade é clara e preocupante. Em uma escola improvisada, instalada há dois meses, uma professora trabalha com 14 alunos em uma lona, tentando ajudar as crianças a entenderem suas emoções, enquanto lidam com a persistente sensação de insegurança.
Na última segunda-feira (14), a líder interina do país, Delcy Rodríguez, afirmou que mais de 6 milhões de estudantes retornaram às aulas. A volta às atividades educativas em meio ao clima de tensão evidencia a resistência da comunidade local e a tentativa de reconstruir uma rotina após a tragédia, ainda que o risco de novos tremores continue presente.
O que sabemos?
- Mais de 6 milhões de estudantes retornaram às aulas na Venezuela, segundo afirmações ainda não confirmadas oficialmente.
- Região de La Guaira foi devastada por terremotos em junho, que deixaram mais de 6.500 mortos.
- Aproximadamente 80 escolas sofreram danos estruturais, outras 900 foram afetadas parcialmente.
- Existem mais de 2.000 réplicas registradas, aumentando o temor na população.
- Uma escola improvisada foi instalada há dois meses para atender às crianças em meio aos danos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




