Entenda por que o Rio Itapetininga sofre com transbordamentos e alagamentos
Geografia, ocupação e intervenções ambientais influenciam as cheias no município
O aumento do nível do Rio Itapetininga, principal fonte de água para a região, voltou a causar alagamentos na cidade de Itapetininga desde setembro. Especialistas explicam a formação do rio, suas bacias e os fatores que agravam os problemas de cheia.
Desde o começo de setembro, o Rio Itapetininga voltou a chamar atenção na cidade homônima devido ao seu nível elevado, provocando alagamentos em áreas próximas às margens. Com quase 300 quilômetros de extensão, o rio passa por diferentes regiões da bacia hidrográfica, que é bastante sinuosa e recebe diversos afluentes ao longo de seu percurso. Segundo o professor e engenheiro ambiental Vinicius Valio, a configuração do rio contribui para esses transbordamentos, especialmente em trechos de planície onde a vazão aumenta e o curso serpenteia bastante.
Valio explica que o Rio Itapetininga tem sua origem em uma junção entre o Rio Turvo e o Rio Pinhal Grande, ocorrendo na própria cidade de Itapetininga a partir do encontro desses dois cursos d’água, o que muitas pessoas não sabem. O Rio Turvo, por sua vez, nasce na bacia do distrito do Turvo, em Tapiraí, região que também integra a bacia hidrográfica do curso. Lá, já há captação de água para o abastecimento local, evitando problemas relacionados à água de permanência para o consumo.
Segundo o documentarista Maurício Hermann, o Rio Itapetininga serpenteia por áreas de alta, média e baixa bacia, sendo que as áreas de baixa permanecem mais suscetíveis às cheias por conta do relevo e da ocupação humana. Ainda de acordo com ele, a ocupação das margens e a remoção da mata ciliar — vegetação natural que ajuda a segurar o solo e regular o fluxo de água — têm impacto direto na intensidade das cheias. Quanto mais ocupada e desprotegida está a margem do rio, maior é o risco de alagamentos durante períodos de chuva mais intensa.
Ao longo do percurso, o rio recebe influências de diversos municípios e afluentes, como o Ribeirão do Chá e o Ribeirão dos Cavalos, ambos abastecendo a cidade de Itapetininga. Tudo isso faz com que o volume de água aumente, culminando no transbordamento em áreas rurais e urbanas, como aconteceu recentemente em bairros próximos às margens. Imagens aéreas mostram o extravasamento do rio e os estragos causados, além de afetar mais de 300 casas na região.
Embora o impacto das cheias seja evidente, ainda não há confirmações oficiais sobre todas as causas, pois aguarda-se por estudos complementares e análises mais aprofundadas. A Secretaria de Obras e o órgão ambiental local ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as intervenções específicas ou possíveis medidas de contenção, mas o fenômeno do transbordamento do Rio Itapetininga é considerado, por especialistas, como resultado de uma combinação de fatores ambientais, ocupacionais e urbanísticos, reforçados pelos efeitos das mudanças climáticas e pela pressão antrópica na bacia hidrográfica.
O que sabemos?
- O Rio Itapetininga tem quase 300 km de extensão.
- Ele recebe água de diversos afluentes como o Ribeirão do Chá e o Ribeirão dos Cavalos.
- A junção do Rio Turvo com o Rio Pinhal Grande forma o Itapetininga na cidade homônima.
- A ocupação desordenada das margens e a retirada da mata ciliar aumentam a vulnerabilidade às cheias.
Fontes
- G1 imprensa





