Plano de enfrentamento ao El Niño em São Paulo mobiliza R$ 29 bilhões até 2029
Governo estadual anuncia ações para mitigar efeitos climáticos extremos previstos para o próximo ano
Com previsão de fenômeno forte, São Paulo prepara ações que envolvem obras, monitoramento e ações emergenciais, com um investimento que deve chegar a R$ 29 bilhões. A iniciativa inclui criação de nova operação de monitoramento diário e entrega de reservatórios.
O governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (15) um amplo plano de enfrentamento ao fenômeno climático El Niño, que deve atingir um nível muito forte no próximo mês. Segundo fontes oficiais, a iniciativa envolve um investimento total de R$ 29 bilhões até 2029, destinados a ações de resiliência hídrica, combate às enchentes e estiagens, além de medidas de vigilância e reassentamento de famílias em áreas de risco. O lançamento do plano ocorreu durante uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, e contou com a participação do governador Tarcísio de Freitas. Uma das principais novidades é a implementação da operação São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027, que substitui a antiga Operação Chuvas. A partir deste mês, o monitoramento do clima deixa de ser sazonal e passa a funcionar diariamente até o final de 2027, com o objetivo de mapear eventos extremos como temporais, ondas de calor e incêndios florestais.
Segundo fontes do governo, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil estadual será responsável por produzir boletins diários que indicam a previsão meteorológica e o risco para cada município, com uma visibilidade de três dias. Além disso, em casos de risco imediato, serão ativados alertas via celular, através do sistema Cell Broadcast ou pelo envio de SMS para quem estiver cadastrado no serviço 40199. Para classificar os riscos, o estado adotou uma escala com quatro níveis: verde (observação), amarelo (atenção), laranja (alerta) e vermelho (emergência), o que facilitará a mobilização e a resposta rápida das equipes de defesa civil. A secretária estadual de Meio Ambiente, Natália Resende, explicou que essa iniciativa pioneira visa incorporar o monitoramento climático ao planejamento de longo prazo de São Paulo, buscando entender as particularidades de cada região para proteger melhor a população.
Na área da segurança hídrica, o plano prevê a entrega de duas grandes represas na Região Metropolitana de Campinas: a represa Duas Pontes, que já está com 98% das obras concluídas, e a de Pedreira, com 80%. Essas obras iniciaram em 2019 e terão capacidade de armazenamento de aproximadamente 85 bilhões de litros de água, beneficiando cerca de 5,5 milhões de pessoas em 20 municípios, conforme informações de fontes próximas ao projeto. Além dessas, estão previstas melhorias na vazão de rios importantes na região, como o Jaguari e o Camanducaia, além da construção de reservatórios em diferentes pontos do estado, incluindo o sistema Itatinga, que deverá fornecer 300 litros de água por segundo para Bertioga e 1.000 litros por segundo ao Guarujá, contribuindo para interromper ou diminuir o impacto de possíveis períodos de seca prolongada.
Segundo a fonte, ainda há ações planejadas para reforçar a segurança hídrica e diminuir o impacto do El Niño, como a ampliação de áreas de captação de água e o fortalecimento do monitoramento climático. O objetivo é garantir uma resposta ágil às possíveis crises, protegendo tanto o abastecimento quanto as áreas mais vulneráveis do estado. Ainda não há confirmação de outros detalhes adicionais, e o governo não se pronunciou oficialmente sobre o valor exato das obras específicas ou o cronograma de implementação de todas as ações previstas, que ainda estão em fase de planejamento.
O que sabemos?
- Governo de São Paulo anunciou plano de R$ 29 bilhões até 2029 para enfrentar o El Niño.
- Medidas incluem obras de resiliência hídrica, monitoramento diário e ações emergenciais.
- Nova operação de monitoramento diário inicia neste mês e vai até 2027.
- Serão criados alertas via celular e boletins meteorológicos diários.
- Duas represas em Campinas, com capacidade de 85 bilhões de litros, estão em construção.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





