Justiça aponta falhas da Enel na resposta a apagão causado por ciclone em São Paulo
Decisão judicial destaca insuficiência na gestão da concessionária durante o temporal de dezembro de 2025
A Justiça de São Paulo condenou a Enel pelos atrasos no restabelecimento do fornecimento de energia após o ciclone que atingiu a Grande São Paulo em dezembro de 2025. Apesar do evento climático, foram identificadas falhas na operação da empresa.
Segundo a Justiça de São Paulo, a concessionária de energia Enel cometeu falhas na sua resposta durante o apagão causado por um ciclone extratropical que atingiu a Grande São Paulo nos dias 9 e 10 de dezembro de 2025. Apesar de o temporal ter provocado quedas de árvores, alagamentos, danos à rede elétrica e recordes de lentidão no trânsito na capital paulista, a decisão judicial demonstra que problemas internos na gestão da Enel agravaram os prejuízos para a população, que ficou sem luz por longos períodos.
De acordo com uma nota técnica produzida durante o processo, foram registrados 6.715 eventos de interrupção de energia na rede na manhã de 10 de dezembro, mas esses números representam apenas os registros na rede, não o número de imóveis ou consumidores afetados. Ainda assim, 46% dessas ocorrências, ou seja, 3.056, levaram mais de 24 horas para serem resolvidas. Algumas unidades consumidoras permaneceram sem energia por até 142,8 horas, com mais de 10 mil imóveis afetados na cidade de São Paulo até o sexto dia após o evento climático.
Segundo fontes relacionadas à apuração, a sentença destaca que o principal motivo para a demora não foi o próprio ciclone, mas sim a insuficiência na preparação, na manutenção e na capacidade de resposta da Enel. A atuação da concessionária foi criticada por falhas na concentração de equipes durante o horário comercial, na redução da energização de residências durante a noite, no uso insuficiente de veículos de grande porte, na operação de equipes sem preparo adequado para ocorrências complexas e na baixa efetividade dos atendimentos.
Na tentativa de justificar a demora, a empresa alegou que o ciclone limitou sua responsabilidade, argumento que foi rejeitado pela Justiça, que afirmou que a própria gestão da empresa agravou a situação. A decisão aponta que as falhas contribuíram para a prolongação do período de ausência de energia e para o aumento dos prejuízos à população. Além disso, o órgão regulador nacional, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), também está envolvido, uma vez que solicitou esclarecimentos da Enel sobre os planos de contingência e detalhamentos técnicos envolvendo o impacto do evento climático na resposta da concessionária.
A ANEEL, que acompanha o caso, divulgou que a Energál considera que a planificação e o acionamento das equipes durante o temporal não foram suficientes. Ainda não há confirmação oficial de que a empresa vá perder a concessão, mas a ANEEL alertou que a reincidência de falhas graves poderá ensejar a recomendação de caducidade do contrato de concessão. A Enel ainda não se manifestou publicamente em resposta às críticas feitas pela Justiça e pela agência reguladora.
O que sabemos?
- A Justiça de São Paulo condenou a Enel por falhas na resposta a apagão causado por ciclone em dezembro de 2025.
- Mais de 10 mil imóveis ficaram sem energia até o sexto dia após o evento climático.
- Dados apontam que 46% das ocorrências de interrupção demoraram mais de 24 horas para serem solucionadas.
- A empresa foi criticada por insuficiência de equipes, baixa eficácia na resposta e uso inadequado de recursos durante o temporal.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





