Jovem de 23 anos perde bebê após atendimento em maternidade da rede pública
Natieli Oliveira buscou socorro após notar ausência de movimentos da filha no ventre, mas deixou unidade de saúde sem exames de imagem
Grávida de oito meses, Natieli Oliveira teve a filha confirmada morta quatro dias após atendimento na Maternidade Célia Câmara, onde não foram solicitados ultrassons nem oferecida cesárea, segundo relato da jovem.
Natieli Oliveira, de 23 anos, perdeu a filha Cecília, ainda no útero, após buscar atendimento na Maternidade Célia Câmara, unidade pública de saúde, na última quinta-feira (27). Segundo relato da jovem ao g1, ela procurou ajuda médica após perceber a ausência de movimentos da bebê, com oito meses de gestação. Apesar da preocupação, Natieli foi liberada sem a realização de exames de imagem, apenas com a escuta dos batimentos fetais por sonar portátil.
De acordo com a jovem, o médico que a atendeu não solicitou um exame mais detalhado, como a ultrassonografia, nem receitou medicações. Na ocasião, Cecília ainda apresentava batimentos cardíacos, conforme mostra um vídeo divulgado pela família. A confirmação da morte da bebê ocorreu nesta terça-feira (1º), quatro dias após a primeira consulta. Natieli afirmou que, mesmo diante da confirmação, a equipe da maternidade negou a cesárea alegando que o centro cirúrgico estava lotado, o que a levou a passar por um parto normal para a retirada do feto.
Natieli também relatou problemas anteriores com o atendimento na mesma unidade, incluindo falta de assistência e orientação após um episódio de descolamento de placenta. Ela disse ter encontrado resistência para receber informações e cuidados adequados, o que reforça o temor de falhas na assistência durante a gestação.
Procurada, a Maternidade Célia Câmara afirmou, por meio de nota, que todos os atendimentos foram realizados conforme os protocolos assistenciais vigentes, mas que a direção da unidade irá revisar os processos adotados e, se necessário, corrigirá fluxos e adotará medidas adequadas para evitar novos problemas. Ainda não foi informado oficialmente se há abertura de investigação ou apuração sobre o caso.
O episódio levanta questionamentos sobre a qualidade e a segurança do atendimento pré-natal e obstétrico em unidades públicas, especialmente diante da ausência de exames decisivos para a avaliação fetal, como a ultrassonografia, e sobre a negativa do procedimento cirúrgico indicado após a confirmação de morte fetal. Para a família, a perda e as circunstâncias da assistência evidenciam falhas graves em um momento crítico de cuidado.
O que sabemos?
- Natieli Oliveira buscou atendimento na Maternidade Célia Câmara na quinta-feira (27) devido à ausência de movimentos da bebê.
- Durante o atendimento, foi usado apenas um sonar portátil para escutar batimentos, sem exames de ultrassonografia.
- A morte da bebê Cecília foi confirmada na terça-feira (1º).
- Após a confirmação, a cesárea foi negada pela maternidade, que alegou lotação do centro cirúrgico, e Natieli teve que realizar parto normal.
Fontes
- G1 imprensa





