Influências do urbanismo norte-americano moldaram São Paulo, mas planos para 'Times Square' ainda enfrentam obstáculos
Tentativa de criar uma grande vaidade urbana na cidade lembra práticas históricas vindas dos EUA, mas o projeto ainda não tem confirmação oficial.
A proposta de uma 'Times Square' em São Paulo traz à tona décadas de influência dos modelos urbanísticos dos Estados Unidos na capital paulista. Após recurso negado pela Justiça, a iniciativa permanece incerta.
Por mais de um século, São Paulo foi fortemente influenciada por conceitos de urbanismo originados nos Estados Unidos, especialmente de Nova York e Chicago. Segundo fonte única, essas referências aparecem desde a implantação de edifícios históricos, como o Farol Santander, inspirado no Empire State, até a construção de vias expressas e projetos de revitalização urbana adotados ao longo da história paulistana. A tentativa mais recente de criar uma espécie de 'Times Square' na cidade reitera essa conexão, embora ainda não haja confirmação oficial do andamento do projeto.
De acordo com informações obtidas, a iniciativa visa promover uma área de destaque que remeta às famosas telas gigantes do bairro norte-americano, com foco principal nos telões, diferentemente do que ocorre no local original, onde há uma forte presença de teatros, cinemas e restrições ao trânsito de veículos. A proposta tem despertado o interesse de gestores públicos e da iniciativa privada, mas enfrenta resistência na Justiça, que negou recentemente um recurso relacionado ao projeto, deixando-o ainda incerto.
Historicamente, a influência americana sobre o urbanismo de São Paulo é ampla e profunda. Ainda na década de 1940, uma empresa vinculada ao grupo Rockefeller enviou a São Paulo Robert Moses, considerado uma das maiores autoridades em urbanismo do mundo na época. Moses foi responsável pelo Programa de Melhoramentos, que resultou na urbanização das várzeas do rio Tietê, na expansão de viadutos e na abertura de vias expressas, ações que moldaram o perfil técnico da cidade. A Folha da Manhã chegou a elogiá-lo na época como uma das maiores autoridades do mundo em urbanismo.
Além disso, o prédio Altino Arantes, inaugurado em 1947, foi o maior arranha-céu do Brasil na época e apresenta forte inspiração no Empire State, com uma estética art déco que também se inspirou em modismos arquitetônicos de Nova York. Era comum que o slogan 'São Paulo, a Chicago da América do Sul' fosse utilizado, destacando o crescimento acelerado da cidade, semelhante ao que ocorria em cidades norte-americanas como Detroit. Para a professora de urbanismo da USP, Sarah Feldman, a legislação de zoneamento da cidade foi concebida com base no modelo estadunidense, com o objetivo de valorizar economicamente as propriedades, embora essa influência muitas vezes seja adaptada às peculiaridades locais.
Apesar de não haver confirmação oficial de que a atual tentativa de criar uma 'Times Square' seja uma continuação direta dessas influências, ela evidencia uma continuidade de busca por referências americanas na formação urbana de São Paulo. Segundo fontes, o foco no projeto paulistano está principalmente nos telões e na estética visual, diferentemente de outros aspectos do bairro original. Ainda que o projeto permaneça em aberto e enfrentando obstáculos jurídicos, a história revela uma relação longa e complexa de trocas e adaptações entre as cidades.
O que sabemos?
- A proposta de uma 'Times Square' em São Paulo foi negada na Justiça recentemente.
- Historicamente, São Paulo foi influenciada por modelos urbanos dos EUA, especialmente Nova York e Chicago.
- Na década de 1940, uma empresa do grupo Rockefeller enviou Robert Moses à cidade, influenciando obras públicas.
- O prédio Altino Arantes, inaugurado em 1947, tem inspiração no Empire State e é exemplo dessa influência.
- A lei de zoneamento de São Paulo foi concebida nos moldes norte-americanos, buscando valorizar propriedades.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




