Contratação de entidade esportiva ligada a servidor público de São Paulo levanta suspeitas de irregularidades
Gestão municipal destinou mais de R$ 24 milhões a entidade cujo responsável ainda aparece como diretor financeiro, apesar de ter se desligado do cargo, segundo documentos
Desde dezembro de 2023, a prefeitura de São Paulo desembolsou mais de R$ 24 milhões para uma associação esportiva ligada a um servidor da Secretaria Municipal de Esportes. Apesar de negações, questionamentos sobre a relação entre o servidor e a entidade permanecem.
Nos últimos dois anos e meio, a administração do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, teria contratado uma entidade esportiva relacionada a um servidor público da própria Secretaria Municipal de Esportes. Segundo levantamento feito pela Folha de São Paulo e divulgado nesta semana, a prefeitura destinou pelo menos R$ 24,2 milhões à entidade, conhecida como CNB, para realização de eventos e competições, incluindo a Virada Esportiva e a Taça da Cidade de São Paulo.
O foco da controvérsia está na ligação do responsável pela gestão da entidade, Bruno Bockis Giaretta, de 39 anos, à administração pública. Segundo o documento da prefeitura, Giaretta aparece como diretor financeiro da associação até pelo menos agosto de 2024. Ainda de acordo com as informações, ele enviou uma carta de renúncia ao cargo um mês após sua nomeação, em 2023, mas seus nomes continuam vinculados à entidade em registros oficiais de 2024 e deste ano.
De acordo com a legislação brasileira conhecida como Lei das OSCs, de 2015, é proibido que parcerias sejam firmadas com organizações que tenham pessoas com cargos no poder público em seus quadros, especialmente na mesma esfera governamental, além de familiares até segundo grau. Apesar de os responsáveis pela CNB e Giaretta negarem qualquer vínculo formal ou vínculo de interesse, a questão levanta suspeitas e dúvidas, especialmente porque documentos oficiais ainda apontam uma relação direta entre ele e a entidade.
O que torna a situação ainda mais complexa é a ausência de confirmações de que a contratação pelo município tenha sido influenciada por esse vínculo. A gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou, em nota, que “não há qualquer elemento que permita à reportagem associar a contratação da CNB à nomeação do servidor mencionado”. Ainda assim, o fato de recursos municipais tão expressivos terem sido destinados a uma entidade com ligações profissionais questionáveis suscita debates sobre transparência e conformidade legal nasparcerias públicas.
Até o momento, a associação e Giaretta permanecem na condição de negarem qualquer relação oficial ou conflito de interesses. A questão está em aberto e ainda não foi oficialmente confirmada se há ou não irregularidades na condução dessas contratações. O caso promete continuar sob análise, com vigilância cobertura jornalística e possíveis desdobramentos jurídicos ou administrativos no futuro próximo.
O que sabemos?
- A gestão Nunes destinou pelo menos R$ 24,2 milhões para a entidade CNB desde dezembro de 2023.
- Bruno Bockis Giaretta, responsável pela gestão da entidade, aparece como diretor financeiro em registros oficiais atuais.
- Giaretta enviou uma carta de renúncia um mês após ser nomeado em 2023, mas continua listado como responsável na documentação de 2024.
- A Lei das OSCs de 2015 impede parcerias com entidades que tenham pessoas com cargo no poder público em seus quadros na mesma esfera.
- A gestão afirmou que não há relação entre a contratação e a nomeação do servidor.
- Ainda não há confirmações oficiais sobre irregularidades ou conflito de interesses.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa



