Garrafa de Guinness do século XIX pode ajudar a desvendar receita perdida há mais de 160 anos
Exploração de naufrágio leva cientistas a tentar reconstituir sabor original da famosa cerveja irlandesa
Durante uma expedição na costa de Dover, mergulhadores encontraram uma garrafa de Guinness de 1864, despertando interesse científico para reprodução da receita antiga. Ainda não há confirmação oficial sobre o estado da cerveja ou resultados dos testes.
Em uma descoberta que combina história, ciência e curiosidade, uma equipe de mergulhadores na costa de Dover, na Inglaterra, encontrou uma garrafa selada de Guinness, uma das cervejarias mais antigas do mundo, fundada em 1759 na Irlanda. A garrafa, datada de 1864 — ou seja, com cerca de 162 anos — foi achada no leito oceânico, dentro de um navio britânico chamado Mindoro que naufragou naquele ano.
Segundo relatos dos exploradores, o local onde a garrafa foi encontrada exibia um “bloqueio hidráulico natural”, que impediu que a água salgada contaminasse a cerveja. Ainda não há confirmação científica de que a bebida continua intacta, pois testes estão sendo realizados para verificar se a cerveja, além de estar selada, não sofreu alterações ou contaminações ao longo do tempo. Caso seja confirmada a preservação, essa descoberta representa uma oportunidade única de compreender uma receita de mais de dois séculos atrás.
Segundo informações de uma fonte especializada na marca, a Guinness é conhecida por ser uma das cervejas mais tradicionais do mundo e por sua receita, que vem sendo preservada há décadas. A marca foi fundada em Dublin e sua receita mais famosa, a Extra Stout, é baseada na antiga Superior Porter, cujo desenvolvimento foi detalhado por Arthur Guinness II em 1821. As primeiras registros de fermentação e uso de leveduras aparecem apenas a partir de 1809, e muitos detalhes do processo original permanecem desconhecidos, sobretudo devido à dificuldade de reproduzir ingredientes e linhagens de levedura ao longo do tempo.
Os pesquisadores envolvidos no projeto, apelidado de “Jurassic Beer”, querem não apenas provar a líquido milenar, mas também extrair DNA das leveduras presentes na garrafa para criar uma cultura que possibilite produzir uma cerveja idêntica à que estava guardada no fundo do mar. Pawel Truszynski, um dos mergulhadores envolvidos, afirmou no Instagram que os laboratórios de microbiologia e o Arquivo Oficial da Guinness estão sendo contatados para realizar as análises e possivelmente “ressuscitar cepas vivas de levedura do século XIX”.
Embora a iniciativa ainda não tenha confirmação total sobre o estado da cerveja, a descoberta gera grande expectativa na comunidade científica e na indústria cervejeira, que veem nesse achado uma oportunidade de revisitar as origens de uma receita que, mesmo com quase dois séculos, mantém seu mistério e seu caráter de símbolo cultural. Resta aguardar os resultados dos testes, que podem indicar se aquela garrafa conserva um pedaço perdido da história da microbiologia e da fabricação de cerveja.
O que sabemos?
- Uma garrafa de Guinness de aproximadamente 162 anos foi encontrada no leito oceânico pela equipe de mergulhadores na costa de Dover.
- A garrafa foi descoberta no naufrágio do navio Mindoro, que naufragou em 1864.
- Testes estão sendo realizados para verificar se a cerveja está intacta e não contaminada.
- Projetos semelhantes buscam extrair DNA das leveduras para reproduzir a receita original.
- A iniciativa é chamada de “Jurassic Beer” e visa entender a sabor original e possivelmente recriá-la.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada




